Administração da Lusa “toma boa nota” da posição dos trabalhadores sobre modelo de governação

O Conselho de Administração da Lusa tomou “boa nota” da posição dos trabalhadores e representantes sobre o novo modelo de governação do acionista Estado e sublinha que o objetivo principal é permitir um maior escrutínio da administração.

Executive Digest com Lusa

O Conselho de Administração da Lusa tomou “boa nota” da posição dos trabalhadores e representantes sobre o novo modelo de governação do acionista Estado e sublinha que o objetivo principal é permitir um maior escrutínio da administração.


Em comunicado hoje divulgado, o Conselho de Administração (CA) da Lusa “regista a preocupação dos delegados sindicais e da Comissão de Trabalhadores com alguns temas que têm sido objeto de plenários ou manifestações recentes e vem esclarecer a sua posição” em três pontos.


O primeiro é que “tomou boa nota da posição dos trabalhadores e seus representantes relativamente ao novo modelo de governação que o acionista único (Estado) decidiu implementar e recorda que o objetivo principal desta nova orgânica foi, desde o início, permitir um maior escrutínio sobre as decisões do Conselho de Administração da Lusa”.


Até agora, acrescenta, “durante décadas, haveria uma maior dependência dos governos e também dos representantes dos media privados que eram acionistas da Lusa e tinham assento na administração, mas essa situação foi alterada, no final do ano passado, através do controlo da totalidade das ações pelo Estado”.


A administração refere que os novos estatutos “decerto merecerão a devida análise por diversas instâncias”, considerando que, “na sua génese, não se vislumbram tentativas de intromissão na área editorial por parte da Assembleia da República ou de outros órgãos de soberania, o que, aliás, não seria tolerado” pelo CA.

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O comunicado acrescenta que a administração está aberta “a aprofundar sinergias com a RTP/RDP para estudar o cenário de utilização comum de infraestruturas das duas empresas em território nacional ou no estrangeiro, potenciando o melhor de cada entidade e a boa gestão dos recursos públicos”, mas afasta qualquer cenário de fusão.


“Que fique claro: isso nunca passará por qualquer fusão de empresas, marcas ou redações, pois, tal como os trabalhadores, defendemos a identidade e o valor da Lusa”, garantem os três membros do Conselho de Administração.


“Pretendemos dignificar as condições de trabalho dos correspondentes regionais, dos delegados internacionais e de todos os profissionais desta casa”, prosseguem, recordando que, “desde o período da ‘troika’, com a exceção de Lisboa e do Porto, os trabalhadores das delegações não têm um local de trabalho atribuído pela empresa”, estando a ser avaliado parcerias com várias entidades, entre as quais a RTP.

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“Contamos com o empenho e a dedicação de todos os trabalhadores e colaboradores desta casa, connosco podem contar com vontade e determinação para que a Lusa continue a ser uma referência no setor dos media e no jornalismo, com isenção, credibilidade, rigor e confiança”, enfatiza o Conselho de Administração.


A administração relembra que a Lusa celebra este ano 40 anos, “como pilar e referência na comunicação social de Portugal.


A nova administração, em plenas funções desde o início do mês, diz estar focada na elaboração do plano estratégico, que deverá conter as linhas orientadoras para os próximos quatro anos, e na avaliação “dos recursos mais adequados para a execução dessa estratégia”. Para tal, refere que vai avaliar as remunerações e outros incentivos “para a motivação e a produtividade dos trabalhadores, bem como a renegociação do contrato de serviço público, num clima de paz social”.


Os trabalhadores da Lusa manifestam-se na quinta-feira, em Lisboa e no Porto, por uma agência livre, independente e respeitada.


Em causa está o processo de reestruturação da empresa, o novo modelo de governação, a possível mudança de sede para as instalações da RTP e a negociação do caderno reivindicativo, que levantam aos trabalhadores “preocupações sérias sobre o futuro da Lusa” e sobre as condições de trabalho.

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