O Governo iraniano acusou esta quinta-feira a União Europeia de ser cúmplice na guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra Teerão. A crítica foi divulgada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, numa mensagem publicada nas redes sociais, segundo relata o jornal ‘POLITICO’.
Na declaração, Baqaei afirmou que a postura europeia face ao conflito equivale a uma participação indireta nas ações militares. “A indiferença e a aquiescência da União Europeia perante a agressão, as brutalidades e as atrocidades dos EUA e de Israel equivalem a nada menos do que cumplicidade”, escreveu o responsável iraniano, acrescentando que “o mundo está a observar”.
By speaking the truth, you are choosing the right side of history.
The European Union's indifference and acquiescence in the face of U.S. and Israeli aggression, brutalities, and atrocities amounts to nothing less than complicity.
THE WORLD IS WATCHING… pic.twitter.com/ITCrCkDZY5
— Esmaeil Baqaei (@IRIMFA_SPOX) March 12, 2026
Para sustentar a acusação, o porta-voz partilhou um vídeo de uma intervenção do eurodeputado belga Marc Botenga no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. No discurso, o parlamentar criticou o apoio que considera existir na Europa à ofensiva contra o Irão, afirmando que “a maioria de vocês não condena, até apoia a guerra de Trump e Netanyahu contra o Irão” e que “as bombas nunca trouxeram democracia”.
As declarações surgem num contexto em que os líderes europeus têm adotado posições distintas sobre a escalada no Médio Oriente. Segundo relata o ‘POLITICO’, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que não se deve “derramar lágrimas” pela eventual queda do regime iraniano.
Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertou que os ataques ordenados pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, podem aumentar a instabilidade em toda a região do Médio Oriente.
As divergências também se refletem entre os Estados-membros. De acordo com a publicação online, Espanha tem estado entre os países mais críticos da intervenção militar, numa posição que contrasta com a abordagem adotada por Alemanha, França e Reino Unido.
A tensão diplomática aumentou ainda mais depois de novas declarações das autoridades iranianas. O presidente do Parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, avisou que um eventual ataque às ilhas iranianas poderia desencadear uma resposta de grande escala.
“Se as ilhas iranianas forem atacadas, toda a contenção será destruída”, afirmou o responsável político. Ghalibaf acrescentou ainda que qualquer consequência envolvendo militares americanos seria responsabilidade direta do presidente dos Estados Unidos.
As declarações refletem o agravamento da retórica entre Teerão e os seus adversários, numa altura em que o conflito no Médio Oriente continua a intensificar-se e a dividir as posições dentro da própria União Europeia.














