Teerão ataca UE e fala em “cumplicidade” no conflito com os EUA e Israel

Crítica foi divulgada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, numa mensagem publicada nas redes sociais

Francisco Laranjeira

O Governo iraniano acusou esta quinta-feira a União Europeia de ser cúmplice na guerra conduzida pelos Estados Unidos e por Israel contra Teerão. A crítica foi divulgada pelo porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros iraniano, Esmaeil Baqaei, numa mensagem publicada nas redes sociais, segundo relata o jornal ‘POLITICO’.

Na declaração, Baqaei afirmou que a postura europeia face ao conflito equivale a uma participação indireta nas ações militares. “A indiferença e a aquiescência da União Europeia perante a agressão, as brutalidades e as atrocidades dos EUA e de Israel equivalem a nada menos do que cumplicidade”, escreveu o responsável iraniano, acrescentando que “o mundo está a observar”.



Para sustentar a acusação, o porta-voz partilhou um vídeo de uma intervenção do eurodeputado belga Marc Botenga no Parlamento Europeu, em Estrasburgo. No discurso, o parlamentar criticou o apoio que considera existir na Europa à ofensiva contra o Irão, afirmando que “a maioria de vocês não condena, até apoia a guerra de Trump e Netanyahu contra o Irão” e que “as bombas nunca trouxeram democracia”.

As declarações surgem num contexto em que os líderes europeus têm adotado posições distintas sobre a escalada no Médio Oriente. Segundo relata o ‘POLITICO’, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou que não se deve “derramar lágrimas” pela eventual queda do regime iraniano.

Já o presidente do Conselho Europeu, António Costa, alertou que os ataques ordenados pelo presidente americano, Donald Trump, e pelo primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, podem aumentar a instabilidade em toda a região do Médio Oriente.

As divergências também se refletem entre os Estados-membros. De acordo com a publicação online, Espanha tem estado entre os países mais críticos da intervenção militar, numa posição que contrasta com a abordagem adotada por Alemanha, França e Reino Unido.

A tensão diplomática aumentou ainda mais depois de novas declarações das autoridades iranianas. O presidente do Parlamento do Irão, Mohammad Bagher Ghalibaf, avisou que um eventual ataque às ilhas iranianas poderia desencadear uma resposta de grande escala.

“Se as ilhas iranianas forem atacadas, toda a contenção será destruída”, afirmou o responsável político. Ghalibaf acrescentou ainda que qualquer consequência envolvendo militares americanos seria responsabilidade direta do presidente dos Estados Unidos.

As declarações refletem o agravamento da retórica entre Teerão e os seus adversários, numa altura em que o conflito no Médio Oriente continua a intensificar-se e a dividir as posições dentro da própria União Europeia.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.