TAP recusa voar para o Montijo. Ryanair e Easyjet resistem

Apesar de haver um consenso no sector da aviação  sobre a necessidade de se construir o aeroporto do Montijo, a verdade é que nenhuma das grandes companhias que operam em Portugal quer realmente voar para o novo aeroporto. O motivo?Essencialmente, porque isso afeta a sua estratégia e modelo de negócio, avança o Expresso na edição deste sábado.

Quem o diz mais abertamente é a TAP. A empresa de bandeira portuguesa tem defendido que o Montijo é para as companhias que voam ponto a ponto, ou seja, as low cost.

“A TAP não pode operar no Montijo. Tem de continuar na Portela. A solução Montijo, pela forma como foi desenhada, não é para a TAP. Gostaria que o Montijo já estivesse pronto e que todas as companhias aéreas fossem para lá”, frisou o presidente da TAP, em entrevista ao Expresso, em setembro de 2018. E a sua posição não mudou desde aí.

Na Web Summit, em 2016, David Neeleman, o acionista privado da TAP, já tinha apontado o caminho: “Estamos a crescer mais rápido do que o aeroporto. E não podemos crescer porque nos dizem que está limitado, temos de abrir outro aeroporto. O Montijo está lá, não podemos esperar três anos para que isso aconteça, as low cost podem ir para lá e nós ficamos aqui [no Aeroporto Humberto Delgado].”

A companhia de bandeira portuguesa não é a única a torcer o nariz ao Montijo. As low cost, nomeadamente as que têm slots em Lisboa, como é o caso da Ryanair e da Easyjet, também não vão querer abdicar deles e só irão voar para o Montijo quando não conseguirem crescer em Lisboa ou se as taxas forem bastante mais baixas do que em Lisboa. A justificação para um travão ao Montijo para estas companhias é também o modelo de negócio. As chamadas low cost são muito usadas para pequenas pausas de dois ou três dias e cada vez mais consideram que não é atrativo para quem vem por pouco tempo demorar a chegar ao centro da cidade.

Já as companhias maiores e que fazem voos de longo curso, como a Lufthansa, a British Airways ou, por exemplo, a Emirates, em princípio, não vão poder aterrar no Montijo, porque a pista não o permite, pela sua dimensão.

Quem irá então voar para o Montijo? Segundo fontes do sector contactadas pelo Expresso, serão sobretudo as novas companhias, as que não tiveram espaço para crescer no Aeroporto Humberto Delgado, ou então aquelas que forem muito sensíveis ao preço.

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