Eleições presidencias

Presidenciais: Dos ovos ao PRD e Chega – diferenças e semelhanças entre 1986 e 2026

As presidenciais de 2026 culminam, como em 1986, um ciclo completo de eleições, com autárquicas e legislativas, e hoje, como há 40 anos, havia novos partidos a desafiar o bipartidarismo do PS e PSD. Os momentos históricos são muito diferentes, os protagonistas também, não são comparáveis, mas têm traços comuns. E diferenças. +++ Eleições a duas voltas? Em 1986 sim, em 2026 talvez +++ As presidenciais de 1986 foram as únicas com duas voltas na democracia portuguesa, desde o 25 de Abril de 1975. A divisão era entre esquerda e direita num país que saiu de uma ditadura escassos 12 anos antes, no 25 de Abril de 1974, e depois uma revolução “vermelha”. A primeira volta, em janeiro de 1986, foi uma espécie de primárias à esquerda, entre os candidatos Maria de Lurdes Pintasilgo (1930-2004), Salgado Zenha (1923-1993) e Mário Soares (1924-2017). Soares levou a melhor e foi à segunda volta em fevereiro e bateu, por pouco mais de 100 mil votos. +++ Três eleições num ano? Em 1986 também +++ Os anos de 1986 e 2026 têm esse traço em comum: a realização de presidenciais que culminaram um ciclo completo de eleições – legislativas e autárquicas. Em 05 de outubro 1985, realizaram-se legislativas, que deram a primeira vitória ao PSD de Cavaco Silva, em minoria, e ditaram uma queda do PS e o surgimento do partido “eanista”, o PRD. Ora, 66 dias depois, os portugueses votaram nas autárquicas e logo no início do ano de 1986, em 26 de janeiro, foi a vez das presidenciais. Entre uma data e outra, passaram 42 dias. Em 2025, o ciclo eleitoral foi mais espaçado: começou em 18 de maio com as legislativas, que reforçaram a votação na AD (PSD/CDS) e ditaram a subida do Chega a segunda força parlamentar. As autárquicas foram…

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