Por Nelson Pires, General Manager da Jaba Recordati
As smart cities são cidades equilibradas, auto-sustentáveis, que pensam nas pessoas de forma inclusiva e não exclusiva, onde o progresso social e o bem-estar são o motivo para a incorporação de soluções onde viver é um encanto. A sustentabilidade da economia e criação de emprego e riqueza, da sociedade e vida e comunidade com participação activa dos cidadãos, do ambiente e eco-responsabilidade constroem visão. Aqui, o desígnio é o da construção de um meio urbano optimizado para o cidadão, quer seja residente permanente, trabalhador que vem de fora durante algumas horas ou turista. A estratégia de uma cidade não pode ser a teimosia de um presidente de câmara ou de uma área metropolitana.
Tudo começa com a avaliação do status quo, nomeadamente com o Estudo dos fluxos de entrada e saída de pessoas, serviços públicos ineficientes, áreas de maior insegurança, maior densidade populacional… chama-se informação e não dados! Depois e utilizá-la. Como? Medidas simples de curto, médio e longo prazo, mas sempre SMART (specific, measurable, achievable, reasonable and time phased). Aqui vão algumas:
- Reforço dos transportes públicos não pesados (comboio por exemplo na linha de Cascais deveria ser transformado em metro de superfície eléctrico) e eléctricos
- Parque estacionamento gratuito na entrada das cidades para utilizadores de transportes públicos
- Hubs de ligação intermodais de vários meios de transporte com redução dos tempos de espera
- Aprovação de licenças para novos táxis e Uber com veículos eléctricos apenas
- Estacionamento bonificado para veículos eléctricos
- Reforço dos postos de carregamento de veículos elétricos
- Ciclovias com publicidade do número de utilizadores diários e energia poupada, como forma de promoção da utilização das mesmas e eliminação das ciclovias inúteis, mas também efectuar um processo de marketing junto dos automobilistas
- Aumentar o número de estacionamento de residentes com gestão através da IA do sistema de estacionamento de forma inteligente e centralizado
- Legislação para correcta utilização de bicicletas e trotinetes eléctricas com fiscalização da Emel que aplica coimas que estimulem a boa utilização
- Reorientação das empresas municipais como a Emel para uma verdadeira empresa de gestão de tráfego em conjunto com a polícia municipal e não de “Caça à multa” e aplicação de tarifários elevados. Gestão comum e integrada
- Limpeza diária de passeios e criação de equipa de intervenção para limpar graffitis mas também de espaços públicos para artistas de rua poderem graffitar (com regras camarárias e qualidade assegurada)
- Criação de Wi-Fi free nas praças da cidade
- Equipas de intervenção camarária e em conjunto com instituições sociais para acolhimento obrigatório dos sem abrigo
- Proibição e fiscalização real da mendicidade, dos “morrinhas” que estacionam automóveis ilegalmente mas também outras actividades ilícitas e pequena criminalidade
- Cidade devidamente iluminada e com videovigilância
- Criação de comissões de bairro com suporte digital para reporte de problemas e sugestões de melhoria que estimulem a participação cívica
- Agravamento fiscal para imóveis comerciais (lojas) e habitacionais encerrados por períodos longos
- Extinção de todas as empresas municipais e integração nos serviços municipais integrados com a estratégia do município e redução de custos
- Edifícios em recuperação ou novas construções devem estar tapados com imagens que promovam a cidade, criando imagens agradáveis em locais desagradáveis
- Manutenção real e auditada dos espaços comuns públicos
- Obrigatoriedade de utilização de materiais sustentáveis na área imobiliária com apoio camarário para o custo superior destes materiais (exemplo proteção das ruas e estradas que absorvem o calor solar gerando menos consumo eléctricos de ares condicionados no verão)
- Criação do PDM verde, com a definição das áreas verdes da cidade paga pela taxa de carbono dos combustíveis e/ou obras de remodelação e construção de novos imóveis
- Edifícios municipais encerrados devem reabrir para criação de hubs de empreendedores, hubs de suporte de nómadas digitais, actividades culturais e artísticas, centros de juventude e jovens idosos (criação de pelo menos 50 centros, 1 por cada dois kms2 da vida de Lisboa por exemplo)
- Criação do médico digital que promova nos espaços públicos comportamentos de prevenção dos cidadãos e bem estar que podem aceder gratuitamente ou por telemóvel ou ecrãs instalados, criando um ecossistema saudável
- Criação das semanas temáticas: gastronomia, música clássica, histórica, teatro, música portuguesa, etc, envolvendo toda a comunidade
- Aumento taxa turística para 5€ por noite e por pessoa como forma de financiamento directo da Promoção de actividades turísticas e melhoria da cidade bem como atração de turismo de segmento B/A
- Criação dos distritos temáticos (Inovação, cultural, etc) em conjunto com promotores e empreendedores
- Criação de parques infantis com material reciclado (ex pneus automóveis) como forma de promoção da economia circular
- Criação do gabinete digital da empresa para assessorar e centralizar processos, bem como medir tempos de eficiência, promover a transparência na relação com a actividade empresarial
- Plataforma do urbanismo on-line pública e transparente
- Promoção fiscal do uso e a gestão eficientes de recursos – água, energia e resíduos com informação real de consumos vs benchmarks e savings possíveis.
Entre muitas outras medidas que fazem duma cidade um local encantador para viver. Basta termos políticos competentes e com sendo comum mas infelizmente, o senso, não é tão comum assim!




