Sinal do automóvel do futuro? Este volante só aparece quando é preciso conduzir

Desenvolvido pela Autoliv em parceria com a startup californiana Tensor, o sistema foi concebido para veículos de condução autónoma de Nível 4

Automonitor
Janeiro 8, 2026
12:36

Um volante que se dobra e desaparece no painel quando o automóvel entra em modo de condução autónoma. A proposta, apresentada na CES de Las Vegas, marca uma das soluções mais invulgares reveladas recentemente para o futuro do automóvel. Desenvolvido pela Autoliv em parceria com a startup californiana Tensor, o sistema foi concebido para veículos de condução autónoma de Nível 4 e levanta novas questões sobre ergonomia, segurança e enquadramento legal, segundo o ‘L’Automobile Magazine’.

À primeira vista, o volante retrátil parece pertencer a um carro-conceito – veja aqui o vídeo. No entanto, foi pensado para um modelo de produção: o Tensor Robocar, um veículo elétrico totalmente autónomo destinado a uso privado. A Autoliv, líder mundial em sistemas de segurança automóvel, associou-se à Tensor para desenvolver aquele que descreve como o primeiro volante dobrável do mundo concebido especificamente para a condução autónoma. O modelo deverá entrar em produção em série no segundo semestre de 2026 e será comercializado nos EUA, Europa e Médio Oriente.

Um volante que desaparece no modo autónomo

O funcionamento do sistema assenta numa lógica dupla. Em modo manual, o volante comporta-se como qualquer outro volante convencional. Quando o veículo passa para condução autónoma de Nível 4, capaz de assumir todas as tarefas de condução em zonas definidas, o volante dobra-se automaticamente. A parte inferior acompanha o ângulo da coluna de direção e todo o conjunto recolhe-se no interior do painel, libertando espaço à frente do condutor.

Em simultâneo, o ecrã central desliza para uma posição frontal, enquanto o sistema de condução autónoma assume o controlo total do veículo. O objetivo é aumentar o conforto a bordo sem abdicar da possibilidade de retomar a condução manual sempre que necessário.

Dois modos de condução, dois sistemas de segurança

A integração do volante retrátil colocou desafios significativos ao nível da segurança. Tradicionalmente, o airbag frontal do condutor está alojado no volante, o que obrigou a Autoliv e a Tensor a desenvolver uma arquitetura de duplo airbag. De acordo com o site especializado ‘L’Automobile Magazine’, em modo manual é ativado o airbag integrado no volante, enquanto em condução autónoma, com o volante recolhido, entra em funcionamento um airbag instalado no painel.

A Autoliv garante que ambos os sistemas oferecem níveis equivalentes de proteção. O veículo consegue identificar instantaneamente se está a ser conduzido por um humano ou pelo sistema autónomo, acionando o dispositivo adequado em caso de colisão.

Um veículo pensado para autonomia total

O volante dobrável é apenas uma peça de um conceito mais amplo. O Tensor Robocar é apresentado como o primeiro veículo elétrico totalmente autónomo desenhado para utilização privada, e não para frotas de robotáxis. Inclui pedais retráteis, ecrã central móvel, um sistema lidar montado no tejadilho e inteligência artificial que permite condução sem mãos no volante e sem necessidade de atenção visual constante, em condições específicas.

Em termos técnicos, o modelo contará com uma bateria de 112 kWh e um conjunto alargado de sensores, incluindo dezenas de câmaras, radares e microfones, além de sensores ultrassónicos e de colisão. A montagem será assegurada no Vietname pela VinFast e o posicionamento será o de um SUV crossover de gama alta, com portas traseiras de abertura invertida e sistemas de iluminação concebidos para comunicar com outros utilizadores da estrada.

Inovação trava nos limites da lei

Apesar do avanço tecnológico, a aplicação prática deste tipo de volante enfrenta obstáculos regulamentares. Na Europa, apenas a condução autónoma de Nível 3 é atualmente permitida, e apenas em troços muito específicos. Neste contexto, a adoção de um volante totalmente retrátil permanece, para já, distante da realidade das estradas europeias.

Ainda assim, a proposta da Autoliv e da Tensor mostra até onde a indústria automóvel está disposta a ir para redefinir a experiência a bordo, num futuro em que conduzir poderá deixar de ser uma obrigação permanente.

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