Este é um tema que deve ser falado, até por não ser ainda muito claro para algumas pessoas. Há quem lhe chame “pressão”, outros dizem que é “exigência”. Mas há uma linha, ténue, silenciosa e devastadora que separa a gestão rigorosa do assédio moral. E quando essa linha é ultrapassada, deixa de ser liderança. Passa a ser Mobbing.
Mobbing é quando, no local de trabalho, existe alguém que tem um comportamento de intimidação, humilhação ou perseguição, de forma repetida, criando um ambiente de trabalho hostil que pode afetar os trabalhadores e até a própria produtividade da empresa.
A advogada Mafalda Coimbra esclarece que o mobbing é uma forma de violência psicológica no trabalho, exercida de forma contínua e intencional: “Pode vir de um superior hierárquico, de colegas, ou até de subordinados, e manifesta-se em comportamentos repetidos que humilham, isolam ou desvalorizam a vítima. Não é um episódio pontual, nem uma crítica isolada, mas um padrão de conduta que mina a dignidade de quem trabalha.”
Para que saiba se está a passar por isso no seu local de trabalho, Mafalda Coimbra deixa algumas explicações sobre como se manifesta e de que forma deve agir.
Como é que este tipo de abuso se manifesta?
. Através da atribuição sistemática de tarefas humilhantes ou impossíveis de cumprir;
. Excluído de reuniões, comunicações ou decisões relevantes;
. Com críticas constantes, públicas e desproporcionais;
. Espalhando boatos, ridicularizando ou isolando socialmente a vítima;
. Retirando meios de trabalho ou ignorando deliberadamente contributos.
Segundo a advogada, estes comportamentos, quando persistentes, criam um ambiente de terror psicológico, estando já contemplado no Código do Trabalho, em que é expressamente reconhecido o assédio moral no art. 29.º, ou seja, “quem o pratica incorre em responsabilidade disciplinar e civil”.
O que fazer se está a ser alvo de assédio?
. Documente tudo — datas, e-mails, mensagens, testemunhos;
. Reporte internamente, se possível;
. Procure apoio jurídico e psicológico.
O mobbing destrói carreiras e pior de tudo: a saúde mental de quem o sente na pele. No entanto, também destrói equipas, produtividade e reputação de empresas. Um ambiente de trabalho saudável não é um luxo, é uma obrigação legal e humana.
E lembre-se que, se nada fizer, o silêncio não protege a vítima, só o agressor.





