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Lisboa, 28 fev 2026 (Lusa) – De carro, com bandeiras em punho e com a “Hatikvah” e a “The Star-Spangled Banner” a tocar nas colunas dos veículos, dezenas de iranianos foram hoje agradecer com flores às embaixadas dos Estados Unidos e de Israel em Lisboa.
Mais de três dezenas de iranianos reuniram-se em Lisboa, junto da Avenida da Liberdade, para celebrar aquilo que esperam ser um dos últimos dias do regime dos ‘ayatollahs’ no Irão.
Com bandeiras dos Estados Unidos (EUA) e de Israel, os dois países que num ataque coordenado visaram hoje eliminar “as ameaças iminentes” do Irão, os manifestantes não esconderam a felicidade e queriam demonstrar o seu apreço aos dois Estados que, segundo eles, são “amigos dos iranianos”.
Em declarações à Lusa, o advogado iraniano Maximilien Jazani disse que a presença das bandeiras destes dois países era importante, além das várias bandeiras iranianas com o Leão e o Sol dourados que foram também levadas pelos manifestantes.
“As bandeiras são importantes porque têm sido a nossa proteção, porque esses países, os Estados Unidos e Israel, têm-nos protegido e também porque é contrário ao que o regime fez durante anos no Irão, a República Islâmica, os ‘ayatollahs’ obrigaram as pessoas a pisar a bandeira americana, a bandeira israelita, e a queimá-las”, disse.
Nos seus carros, os manifestantes seguiram desde a Avenida da Liberdade até à sua primeira paragem, a embaixada de Israel.
No interior do carro de Maximilien Jazani ouvia-se o hino do Irão e, já próximo da embaixada, começou a tocar o hino israelita, a “Hatikvah”, que significa “A Esperança” em hebraico e expressa o desejo do povo judeu de voltar à sua pátria.
“É importante para nós agradecer aos Estados Unidos e a Israel por tudo o que estão a fazer. Sabemos que isso tem um custo para eles, mas é para o benefício não só do povo iraniano, mas também de todo o mundo, porque [estão a] livrar-se de um regime terrorista que está a espalhar o terror, a espalhar guerras e a espalhar armas pelo mundo”, disse o advogado enquanto conduzia.
Chegados à embaixada, foram entregues ramos de flores e gritou-se “Longa vida a Israel” e “Obrigado Israel”.
De volta aos carros, naquela que era agora uma coluna de viaturas pelas ruas de Lisboa, esvoaçavam bandeiras iranianas.
Já na segunda paragem, a embaixada dos EUA, entregaram-se novamente flores e desta vez gritou-se “Longa vida aos Estados Unidos” e “Amamos-te Presidente Donald Trump”.
Foram distribuídas folhas entre os presentes com uma imagem impressa de caças F-22, da força aérea norte-americana, sobre as bandeiras dos Estados Unidos e de Israel com o texto “Obrigado” escrito em inglês.
À Lusa, Maximilien Jazani sublinhou uma vez mais a importância de agradecer aos dois países face à crueldade do regime “terrorista e sanguinário”, que “massacrou pessoas, continuando a prender, torturar e a executar pessoas no Irão”.
Israel e Estados Unidos lançaram hoje um ataque ao Irão para “eliminar as ameaças iminentes do regime iraniano”, e Teerão respondeu com mísseis e drones contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas.
O Presidente norte-americano, Donald Trump, afirmou que a operação visou “eliminar ameaças iminentes” do Irão, ao passo que o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, confirmou a ação conjunta contra o que classificou como uma “ameaça existencial”.
Washington exige que o Irão cesse o enriquecimento de urânio e limite o alcance dos seus mísseis, o que Teerão recusa, aceitando apenas cortes no seu programa nuclear em troca da suspensão das sanções em vigor.
Segundo a Cruz Vermelha iraniana, os bombardeamentos fizeram até agora pelo menos 200 mortos e cerca de 750 feridos.
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou hoje entretanto que existem sinais de que o líder supremo do Irão, o ‘ayatollah’ Ali Khamenei, está morto, sem que haja ainda qualquer confirmação oficial por parte de Teerão.








