Relatório interno revela que Facebook só remove, no máximo, 5% dos conteúdos de ódio

No que toca às publicações que “apenas violam as regras da política do Facebook em matéria de violência”, um dos estudos acrescenta que este mecanismo só consegue eliminar 0,6% do ‘posts’.

Fábio Carvalho da Silva

Depois de uma ex-funcionária ter afirmado que o Facebook sacrificava o combate contras as publicações de ódio em nome do lucro, a rede social veio a público sublinhar que o sistema de inteligência artificial (IA) utilizado pela empresa é responsável por eliminar este tipo de conteúdos. Agora, uma investigação do ‘Wall Street Journal’ revela que afinal este mecanismo não é assim tão eficaz.

Segundo um relatório elaborado por um grupo de engenheiros seniores do Facebook, o sistema IA só conseguiu remover 2% das “publicações promotoras de ódio”. Outro documento de igual natureza e fonte aumentou esta taxa para um intervalo compreendido entre os 3% e os 5%.



No que toca às publicações que “apenas violam as regras da política do Facebook em matéria de violência”, o segundo estudo acrescenta que este mecanismo só consegue eliminar 0,6% do ‘posts’.

Estes números são confrontados pelo diário nova iorquino com as palavras proferidas pelo CEO do Facebook, Mark Zuckerberg, há dois anos: “a grande maioria do conteúdo impróprio pode ser removido pela IA”. Um relatório publicado pela empresa em fevereiro anunciou que a taxa de deteção deste mecanismo estava acima dos 97%.

“Muitas das acusações não fazem sentido”, defende Mark Zuckerberg

Há quase duas semanas, o diretor executivo e co-fundador do Facebook, Mark Zuckerberg, defendeu a empresa das acusações de uma denunciante que disse ao Congresso dos EUA que o gigante das redes sociais dá prioridade aos lucros em detrimento da segurança.

“No cerne destas acusações está a ideia de que damos prioridade aos lucros em detrimento da segurança e bem-estar. Isto simplesmente não é verdade”, disse Mark Zuckerberg num longo ‘post’ na sua página do Facebook.

O chefe do Facebook também disse que “muitas das acusações não fazem sentido” e que não reconhece “o falso quadro da empresa que está a ser pintado”.

“O argumento de que promovemos deliberadamente conteúdos que enfurecem as pessoas para obterem lucro é ilógico. Ganhamos dinheiro com a publicidade e o que os anunciantes nos dizem constantemente é que não querem que os seus anúncios apareçam ao lado de conteúdos que sejam prejudiciais ou que gerem raiva”, frisou.

No seu testemunho no Senado, a ex-funcionária France Haugen pintou um retrato impiedoso da empresa, afirmando que durante o seu tempo de trabalho no Senado se percebeu de uma “verdade devastadora”: o Facebook retém informações do público e dos governos.

“Os documentos que forneci ao Congresso provam que o Facebook enganou repetidamente o público acerca do que a sua própria investigação revela sobre a segurança das crianças, a eficácia da sua inteligência artificial, e o seu papel na divulgação de mensagens divisórias e extremistas”, afirmou.

Haugen, que anteriormente divulgou documentos internos da empresa ao ‘The Wall Street Journal’, disse que o Facebook esconde que as suas plataformas são prejudiciais para as crianças, fomentam a divisão social e minam a democracia.

 

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