Perante o aumento acentuado da popularidade das moedas digitais, o mercado de trabalho neste setor está a crescer cada vez mais. As maiores empresas de tecnologia do mundo, como a Amazon, Google e Microsoft já procuram pessoas para liderar estratégias empresariais ligadas com criptomoedas, criando mesmo departamentos e equipas especializadas.
Estes ativos já não são vistos apenas como oportunidades de investimento, mas também como um futuro para os serviços financeiros.
A Criptoloja é a primeira corretora de criptomoedas autorizada pelo Banco de Portugal, sediada em Lisboa, e o seu CEO, Pedro Borges, adianta que “cada vez mais as criptomoeadas são uma forma inovadora de ganhar dinheiro, não somente como investimento, mas também como profissão”.
No entanto, quando questionado pela ‘Executive Digest’ sobre se os portugueses e as empresas portuguesas estão disponíveis e preparados para um novo futuro dos serviços financeiros, diz que “disponíveis estão, preparados acredito que não”.
“Essencialmente porque com a tecnologia blockchain e a lógica de descentralização que, atualmente, cresceu bastante a nível da oferta do DeFi (ou seja, finanças descentralizadas), acredito que os portugueses estejam muito disponíveis para adotar este tipo de serviços quando o entenderem. E também acredito que as empresas estarão muito disponíveis para adotar uma lógica de finanças descentralizadas e toda a oferta que isso possibilita. Mas preparados, isso não.”
Pedro Borges refere a falta de conhecimento geral relativamente aos processos, explicando que este é o principal entrave, mas que com o tempo será eliminada.
“Estou certo de que as pessoas se interessarão cada vez mais. Vão procurar saber mais sobre estes processos e sobre o que a descentralização dos serviços financeiros lhes pode proporcionar por contraponto a serviços centralizados.”
Para as empresas, é fundamentar ter uma figura executiva destinada a liderar estratégias relacionadas com criptomoedas e estratégias de blockchain em geral, diz o CEO. “Gradualmente, com o passar do tempo, os clientes que utilizam os serviços e os bens das empresas procurarão ter os mesmos serviços de forma descentralizada e não tanto de forma centralizada.”
Pedro Borges refere que as pessoas vão começar a privilegiar mais o descentralizado e não o centralizado, por isso é que as empresas precisam de criar mais soluções dessas para os seus clientes.
“Neste âmbito, as mais valias que pode trazer dizem respeito à capacidade de desenvolver e implementar estratégias que, por um lado, permitam encontrar produtos mais baratos, mais eficientes e, por outro lado, proporcionar também aos clientes das empresas lógicas de descentralização”, acrescenta.
O CEO da Criptoloja acredita que a regulamentação das criptomoedas, que é também um assunto que está em foco neste mercado, é “fundamental, necessária e vai acabar por acontecer”, nem que seja porque “coloca e clarifica as regras do ‘jogo’ e não há como viver sem regulação”.
A regulamentação deve chamar mais pessoas para esta indústria e não ter o efeito contrário, assumindo uma posição positiva e inclusiva e não negativa e exclusiva.
Sobre os conselhos para quem pretende fazer uma incursão nos criptoativos como carreira profissional, Pedro Borges acredita que é preciso ter “muita educação e formação antes de iniciar, e não ir tanto à aventura porque às vezes o caminho por onde se vai nem sempre é o certo”.




