Reforma corta até 23% no rendimento líquido dos portugueses

Estudo do Banco de Portugal baseia-se em dados da Segurança Social referentes a 2018 e 2024 e mostra que o impacto financeiro da aposentação varia consoante o nível salarial.

Executive Digest
Janeiro 24, 2026
10:10

Os portugueses enfrentam uma quebra significativa no rendimento quando passam da vida ativa para a reforma. Em média, o rendimento líquido desce 16%, o que significa que os novos pensionistas passam a receber apenas 84% do último salário, segundo dados divulgados pelo Banco de Portugal (BdP) e citados pelo Correio da Manhã.

A análise incide sobre a taxa de substituição entre o ordenado no final da carreira e a pensão de velhice inicial. O estudo baseia-se em dados da Segurança Social referentes a 2018 e 2024 e mostra que o impacto financeiro da aposentação varia consoante o nível salarial.

Salários mais altos sofrem maiores cortes na reforma

De acordo com o BdP, são os trabalhadores com rendimentos mais elevados que registam as maiores perdas percentuais. Quem ganhava mais de 2500 euros líquidos por mês vê o seu orçamento mensal cair 23% ao reformar-se. Nestes casos, a pensão inicial substitui apenas 77% do último salário. Por cada 100 euros de ordenado, o pensionista passa a receber 77 euros.

Já os trabalhadores com remunerações mais baixas também sentem a redução, embora em menor escala. Quem recebia até 900 euros por mês enfrenta uma quebra de 13% no rendimento líquido, passando a contar com uma pensão equivalente a 87% do salário que auferia antes da reforma.

Diferença entre valores líquidos e brutos

Os especialistas do Banco de Portugal sublinham que as taxas líquidas de substituição são superiores às brutas, uma vez que as pensões não estão sujeitas a contribuições sociais.

Quando se analisam os valores antes de impostos, a descida de rendimentos na transição para a reforma é ainda mais acentuada. Nesse cenário, a redução varia entre 23% nos escalões mais baixos e 39% nos mais elevados.

Os dados agora divulgados evidenciam que a transição para a reforma implica uma perda relevante de rendimento mensal para a maioria dos portugueses, com maior penalização para quem tinha salários mais elevados. A taxa de substituição, isto é, a percentagem do salário que é “substituída” pela pensão, revela-se determinante para o nível de vida na velhice.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.