Quase metade dos bebés que nascem em Setúbal têm mãe estrangeira

A realidade demográfica em Portugal está a mudar e os dados mais recentes revelam um crescimento expressivo do número de bebés nascidos de mães estrangeiras. No distrito de Setúbal, 49,3% dos cerca de três mil nascimentos registados em 2025 correspondem a mães de nacionalidade não portuguesa.

Pedro Gonçalves
Fevereiro 16, 2026
12:26

A realidade demográfica em Portugal está a mudar e os dados mais recentes revelam um crescimento expressivo do número de bebés nascidos de mães estrangeiras. No distrito de Setúbal, 49,3% dos cerca de três mil nascimentos registados em 2025 correspondem a mães de nacionalidade não portuguesa. A tendência estende-se a vários concelhos da Área Metropolitana de Lisboa — como Sintra, Amadora, Odivelas, Barreiro e Seixal — onde o número de mães estrangeiras já supera o de portuguesas. No Algarve, Albufeira, Lagos e Aljezur apresentam igualmente predominância de mães estrangeiras, cenário que se repete em Odemira, no Litoral Alentejano.

Segundo o Correio da Manhã, que avançou com estes dados, os distritos de Setúbal, Faro e Lisboa concentram 62% do total de nascimentos em 2025 cujas mães são estrangeiras. Depois de Setúbal, Faro regista 41,4% de nascimentos de mães estrangeiras e Lisboa 35,4%. No total nacional, nasceram cerca de 89 mil bebés no último ano: 64 mil são filhos de mães portuguesas e 25 mil de cidadãs estrangeiras, o que representa 28% do total de nascimentos.

O fenómeno atinge também regiões de menor dimensão populacional. A cerca de 1900 quilómetros de Lisboa, na ilha do Corvo, nos Açores — com uma população estabilizada há mais de meio século em torno dos 400 habitantes — foram registados dois nascimentos em 2025: um bebé é filho de mãe portuguesa e o outro de mãe estrangeira. Em sentido inverso, os Açores apresentam a menor proporção de filhos de mães estrangeiras (4,8%), seguidos de Vila Real (11,8%) e da Madeira (13%).

Entre as aproximadamente 25 mil mulheres estrangeiras que tiveram filhos em Portugal no último ano, as brasileiras lideram destacadamente, com 9211 nascimentos, seguindo-se as angolanas (2168), cabo-verdianas (1856), indianas (1094) e guineenses da Guiné-Bissau (1080). Em termos comparativos, há 13 anos que não nasciam tantas crianças no país: registaram-se mais 4520 nascimentos face aos dados divulgados pelo Instituto de Registos e Notariado, consolidando 2025 como um dos anos mais expressivos da última década em matéria de natalidade.

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