Quanto custaria a Trump comprar a Gronelândia?

Gronelândia permanece sob soberania dinamarquesa há mais de seis séculos

Francisco Laranjeira
Janeiro 7, 2026
14:30

A ideia de anexar a Gronelândia deixou de ser uma provocação de Donald Trump para se assumir como uma reivindicação territorial explícita do presidente dos Estados Unidos, que garante que a sua administração está a analisar “várias opções” para assumir o controlo da ilha, incluindo o eventual recurso às Forças Armadas americanas. A Gronelândia permanece sob soberania dinamarquesa há mais de seis séculos.

De acordo com o ’20Minutos’, fontes citadas pela imprensa americana indicam que entre os cenários em estudo estão a compra do território à Dinamarca ou a celebração de um acordo de livre associação. As mesmas fontes sublinham que Trump pretende resolver o dossier antes do final do seu mandato.

A proposta levanta, no entanto, múltiplas questões jurídicas e políticas. Nada no direito internacional regula a compra de territórios soberanos e um eventual processo desse tipo implicaria debates e votações nos Estados Unidos, na Dinamarca, na própria Gronelândia e até na União Europeia. Em declarações citadas pelo ’20Minutos’, o historiador Iwan Morgan já havia alertado, em 2019, para a complexidade institucional de um cenário dessa natureza.

A discussão reacende também preocupações geopolíticas na Europa. França e outros aliados europeus estarão a preparar respostas políticas às ambições americanas sobre a ilha, num contexto em que Copenhaga tem reiterado que a Gronelândia não está à venda.

Quanto custaria comprar a Gronelândia?

Avaliar financeiramente a Gronelândia é um exercício marcado por incertezas. Estão em causa fatores como a dimensão do território, a posição estratégica no Ártico e os recursos naturais disponíveis, incluindo petróleo, gás e minerais. A estes elementos juntam-se as expectativas de Washington e as exigências de Copenhaga, variáveis difíceis de quantificar.

O precedente histórico mais citado é a compra do Alasca, adquirida pelos Estados Unidos à Rússia czarista em 1867 por 7,2 milhões de dólares, um montante que corresponderia hoje a cerca de 115 milhões de euros. Um valor simbólico quando comparado com a importância estratégica e económica atual da região.

Não foi a única tentativa. Em 1946, Washington ofereceu à Dinamarca 100 milhões de dólares em ouro para comprar a Gronelândia, o equivalente a cerca de 1,2 mil milhões de euros atuais. Ainda assim, esse montante ficaria hoje muito aquém de qualquer avaliação realista, tendo em conta que o PIB anual da Gronelândia ultrapassa os 3 mil milhões de euros.

Independência como via alternativa

Outra hipótese considerada passaria pela independência da Gronelândia. Caso a população, cerca de 59 mil habitantes, aprovasse em referendo a separação da Dinamarca, um Estado independente poderia optar por se associar ou integrar nos Estados Unidos.

Segundo a ‘Reuters’, especialistas sublinham que, apesar de existir algum apoio à independência, é pouco provável que os gronelandeses a aceitem se isso implicar uma quebra significativa do nível de vida. A economia local depende em larga medida de subsídios e transferências dinamarquesas, e a adesão aos EUA poderia ser vista como a substituição de um poder tutelar por outro, uma ideia que gera resistência na sociedade gronelandesa.

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