Ainda no rescaldo do Congresso do PS, os socialistas levam esta terça-feira a plenário um tema que Pedro Nuno Santos, atual líder do partido, tem como de ‘estimação’. Hoje vai ser discuto um projeto de resolução que recomenda ao Governo “o desenvolvimento das diligências conducentes ao início do concurso da Linha de Alta-Velocidade Porto-Lisboa”.
Desta forma, o PS pressiona o PSD para que dê ‘luz verde’ ao lançamento do concurso para a linha de alta-velocidade ainda pelo Governo em gestão.
Aliás, o Executivo em funções, liderado por António Costa, tem sublinhado a necessidade de lançar rapidamente o concurso público para que se construa o primeiro troço, já que Portugal arrisca-se a perder acesso a 750 milhões de euros de fundos comunitários para essa intervenção, caso o concurso não seja lançado até final de janeiro.
Luís Montenegro já questionou se será mesmo assim mas, em entrevista ao Expresso, admitiu que não será ele o “obstáculo” à linha de alta-velocidade a ligar Porto e Lisboa.
Na proposta do PS, citada pelo mesmo semanário, estabelece-se que o lançamento do concurso é “essencial não apenas para a modernização da infraestrutura ferroviária, mas também para garantir o acesso aos fundos necessários para a execução deste empreendimento estratégico para o desenvolvimento de Portugal, um país conectado, sustentável e competitivo na Europa”.
“Portugal delineou um horizonte ambicioso para o investimento em infraestruturas, especialmente na ferrovia, para a próxima década. Neste contexto, a linha de alta velocidade Porto-Lisboa destaca-se como o investimento mais significativo e transformador, não apenas pela sua dimensão, mas também pelo impacto esperado na modernização e eficiência de toda a rede ferroviária e no sistema de transportes do país”, indicam ainda os socialistas, fazendo referência ao programa Ferrovia 2020, com um investimento de mais de dois mil milhões de euros.
Recorde-se que, a 15 de dezembro, o Governo aprovou, em Conselho de Ministros, a reserva de terrenos para a linha de alta-velocidade.
A votação de hoje é meramente política, mas, caso o PSD vote contra, dá ao PS pelo menos uma recomendação aprovada com maioria do Parlamento para que o processo de abertura do concurso siga a breve trecho. Caso os sociais-democratas votem a favor ou se abstenham, o PS consegue a garantia política que necessitava.




