Projeto “ViViFiCAR” e Douro Vinhateiro de Silva Porto chegam ao Museu do Côa

Uma exposição com 32 desenhos e uma pintura de Silva Porto (1850-1893), que percorre as paisagens do Douro Vinhateiro, é inaugurada na sexta-feira no Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.

Executive Digest com Lusa
Março 3, 2026
19:22

*** Serviço áudio disponível em www.lusa.pt ***



Vila Nova de Foz Côa, Guarda, 03 mar 2026 (Lusa) — Uma exposição com 32 desenhos e uma pintura de Silva Porto (1850-1893), que percorre as paisagens do Douro Vinhateiro, é inaugurada na sexta-feira no Museu do Côa, em Vila Nova de Foz Côa, distrito da Guarda.


No mesmo dia, também no Museu do Côa, será inaugurada “ViViFiCAR”, mostra resultante de residências artísticas de Augusto Brázio, James Newitt e Lara Jacinto, realizadas na Mêda, em Torre de Moncorvo e Sabrosa, com base em casas de famílias da região, num projeto da Ci.CLO – Plataforma de Fotografia, que fez parte do programa de criação da Bienal’25 Fotografia do Porto.


“Silva Porto, a paisagem no desenho e na pintura” terá uma duração de cerca de três meses. Em declarações à agência Lusa, o curador da mostra, João Paulo Queirós, disse que esta vai trazer 32 desenhos e uma pintura, documentando o período de Silva Porto em Paris, através das anotações das paisagens feitas nessa época.


“Este é um testemunho da atividade deste pintor que introduz a pintura paisagista em Portugal. As obras vão mostrar a relação com o território. Silva Porto atravessa o país e interessa-se por procurar as raízes portuguesas e fazer a paisagem em Portugal, representado as aves, as oliveiras, os sobreiros, as vinhas existentes no Douro e no Minho”, explicou João Paulo Queirós à Lusa.


A Natureza é a maior fonte de inspiração deste pintor, que cedo se afirmou a nível . Silva Porto compõe imagens do mundo rural, com uma luz e cor quase fotográficas. Ramalho Ortigão chamou-lhe “o Garrett da pintura portuguesa”.


Reconhecido e aclamado pelos seus pares, Silva Porto é um dos nomes-chave das artes plásticas portuguesas na segunda metade do século XIX, um dos membros do chamado Grupo do Leão – tertúlia do café Leão de Ouro, em Lisboa -, imortalizado no quarto de Columbano, que reunia artistas como José Malhoa e os irmãos Bordalo Pinheiro, num desafio à tradição académica, apostados no Naturalismo e na afirmação da modernidade.


De personalidade reservada, este pintor nascido no Porto em 1850, aventurou-se na sua formação. Depois de completar o curso na Academia Portuense de Belas-Artes, foi bolseiro em Paris, estudou com os consagrados Yvon, Cabanel, Beauverie e Groseillez. Conheceu a Escola de Brabizon, de que fizeram parte Corot, Millet, Rousseau e Daubigny, mestres do Realismo francês que abrem a porta ao Impressionismo.


Na altura, Silva Porto expôs no Salon de Paris e na Exposição Universal com aplausos da crítica. Antes do regresso a Portugal, viajou pela Europa, para conhecer a obra dos grandes paisagistas. Em Itália pintou “Fiandeira Napolitana”, uma das suas principais peças.


No regresso a Portugal, com menos de 30 anos, dirigiu a cadeira de Pintura de Paisagem da Academia de Belas-Artes e expôs nas principais salas. O seu nome fica firmado no país quando “A Charneca de Belas” é comprada para a coleção real.


De acordo com o presidente da Fundação Côa Parque, João Paulo Sousa, o Museu do Côa tem a preocupação de manter uma ligação entre a ancestralidade e a contemporaneidade, em termos artísticos.


“O sentimento do museu não pode ficar só restrito ao paleolítico. Temos de perceber que a RPAC onde estamos envolvidos é uma parceria evidente, para que se possa jogar com a ancestralidade e a contemporaneidade”, vincou.


O responsável indicou ainda que na sexta-feira, e em paralelo a esta exposição dedicada a Silva Porto, abre uma outra, “ViViFiCAR”, resultante do projeto da Ci.CLO – Plataforma de Fotografia, que tem em Virgílio Ferreira o diretor-geral e artístico.


Depois da mostra coletiva na Bienal’25 Fotografia do Porto e de três exposições individuais nos municípios parceiros – Mêda, Sabrosa e Torre de Moncorvo -, “ViViFiCAR” chega ao Museu do Côa, onde ficará até 31 de maio.


De acordo com a sua apresentação, o projeto “ViViFiCAR” abraça as ideias de “viver e ficar” enquanto eixos orientadores dos encontros imersivos entre artistas e as comunidades locais, a partir de estratégias participativas de criação.


Durante o ano de 2024, Mêda, Torre de Moncorvo e Sabrosa receberam os Encontros Vivos, acolhendo três artistas em residência – Augusto Brázio, James Newitt e Lara Jacinto -, que viveram em casas de famílias da região. Todo o desenvolvimento do projeto foi acompanhado por uma equipa curatorial composta por Gabriela Vaz-Pinheiro, Jayne Dyer e Virgílio Ferreira, com apoio de mediadores locais.


Segundo a apresentação da mostra no ‘site’ da Direção-Geral das Artes, “do olhar de Augusto Brázio emerge um corpo de trabalho que reforça o sentido de pertença humana ao ecossistema envolvente de Torre de Moncorvo”.


“Na instalação vídeo de James Newitt, a atividade mineira é examinada como metáfora – referenciando o passado, o presente e o futuro – ao mesmo tempo que alude a tudo o que permanece fora do alcance do olhar distante em Mêda”.


Sobre o projeto de Lara Jacinto, a apresentação da mostra afirma que “o retrato surge com um magnetismo vertiginoso que sugere a possibilidade de uma relação tangível com a experiência do outro” e “o outro é, aqui, o imigrante, que conta a história de uma geografia fortemente marcada pela emigração”.


Esta edição do projeto “ViViFiCAR”, organizada pela Ci.CLO Plataforma de Fotografia, teve apoio da Direção-Geral das Artes e da Câmara Municipal do Porto e, como parceiros, teve a Fundação Côa Parque e as câmaras municipais da Mêda, de Sabrosa e de Torre de Moncorvo, com mecenato do BPI e da Fundação ‘La Caixa’.


Os artistas Amadeo de Souza Cardoso e Nadir Afonso protagonizaram as duas últimas exposições no Museu do Côa, em 2015: “Nadir Afonso: Território de Absoluta Liberdade” e “A Marginália de Amadeo”.


Desde 2022, as exposições mais visitadas do Museu do Côa foram “Paula Rego – Rotura e Continuidade” (60 mil pessoas), “Dark Safari”, a partir da Coleção de Arte Contemporânea do Estado (38 mil), e “Mapas da Terra e do Tempo”, de Graça Morais (37 mil pessoas).


As duas exposições a inaugurar no Museu do Côa enquadram-se na Rede Portuguesa de Arte Contemporânea (RPAC).


Criada em 2021, a REPAC é atualmente composta por 81 entidades, que congregam 97 espaços e equipamentos em todo o território nacional.


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