Já foram amplamente discutidas as implicações do acto de procrastinar. Mas há um novo comportamento a ter em atenção: tão grave como adiar repetidamente, até ao último minuto, a conclusão de uma tarefa poderá ser a sua antecipação. “Precrastinar” é o termo utilizado por David Rosenbaum para designar esta prática, que pode parecer ajudar a aumentar os níveis de produtividade. Mas só parecer.
Segundo o professor de Psicologia na Universidade da Califórnia, “precrastinar” é a tendência de uma pessoa para se apressar a iniciar uma tarefa. Citado pela BBC, o especialista explica que este comportamento pode resultar em esforços desnecessários que podem ser evitados com um pouco de planeamento.
Vamos a exemplos práticos: um procrastinador deixa a caixa de entrada do email cheia de mensagens até ao dia seguinte – ou até não poder adiar mais; por outro, lado, um “precrastinador” lê e responde a todos os emails logo de manhã, assim que acorda ou chega ao escritório. Mesmo que não sejam questões importantes.
De acordo com a teoria de David Rosenbaum, isto significa que se gasta energia numa tarefa pouco relevante quando se deveria guardá-la para actividades mais urgentes ou importantes.
Porém, poderá ser difícil para algumas pessoas resistir à possibilidade de dar vazão rapidamente a uma série de assuntos. O professor norte-americano compara este cenário com a oferta de comida nos supermercados, em acções de sampling. Além disso, as pessoas que “precrastinam” olham para estas tarefas mais pequenas e simples como uma forma de eliminar itens da lista de afazeres. No entanto, no fim, ficam por completar as mais importantes, fazendo com que o dia não seja assim tão produtivo.
«Deveria ser acordado na nossa sociedade que não há problema em parar para cheirar as flores (…) ser deliberado, mindful e permitido que se abrande», afirma David Rosenbaum. O especialista defende que seria sensato que os gestores reconhecessem os benefícios de não fazer tudo o mais rápido possível.




