Preços do calçado com tendência global de subida devido a pressões inflacionistas

Os preços do calçado deverão registar uma tendência global de subida nos próximos meses devido às “pressões inflacionistas” sentidas em todo o mundo, aponta a última edição do ‘World Footwear Business Conditions Survey’.

Executive Digest com Lusa

Os preços do calçado deverão registar uma tendência global de subida nos próximos meses devido às “pressões inflacionistas” sentidas em todo o mundo, aponta a última edição do ‘World Footwear Business Conditions Survey’.

“A expectativa quanto à evolução dos preços do calçado é crescente nos próximos meses. Os nossos especialistas preveem que os preços continuarão a subir, em resultado dos vários pontos de pressão que impactam os negócios”, lê-se na última edição do inquérito, efetuada em outubro junto de 122 profissionais do setor em todo o mundo.



De acordo com as conclusões do trabalho, “as expectativas relativas ao preço do calçado sofreram uma forte subida drástica desde a última edição do inquérito, em linha com as pressões inflacionistas que se fazem sentir em todo o mundo”.

Assim, mais de três quartos dos especialistas inquiridos preveem agora uma subida dos preços, enquanto apenas 3% acredita que vão diminuir e só um em cada cinco espera que os preços permaneçam inalterados.

Segundo salienta, “este sentimento é comum aos respondentes de todos os ramos do setor e reflete o contexto de negócios recente, dominado pelo aumento da inflação em diversos países, pelos preços crescentes das matérias-primas e pelos custos de transporte que dispararam (refletindo os sérios problemas vividos na cadeia de abastecimento global)”.

“Todos esses fatores combinados, se persistirem, podem ajudar a explicar esta pressão esperada sobre os preços do calçado”, refere.

Geograficamente, o inquérito precisa que “as perspetivas sobre a evolução dos preços são ligeiramente mais cautelosas na África e na Ásia do que nos outros continentes”, mas salienta que “o saldo de respostas extremas é superior a 50 pontos percentuais em todas as regiões”.

Em declarações à agência Lusa, o diretor de comunicação da Associação Portuguesa dos Industriais do Calçado, Componentes, Artigos de Pele e Seus Sucedâneos (APICCAPS) – cujo gabinete de estudos é responsável pela elaboração do ‘World Footwear Business Conditions Survey’ – reiterou que “não há dúvidas que existirão reajustamentos” nos preços.

“Considerando o aumento do custo das matérias-primas e, mesmo, dos transportes, o indicador é claro: haverá consequências ao nível do preço final do calçado”, afirmou Paulo Gonçalves, acrescentando: “Difícil é prever o aumento exato do preço final do calçado, mas não há dúvidas que existirão reajustamentos”.

A APICCAPS recorda que, na última década, o preço médio do calçado exportado a nível mundial aumentou 33,8%, ascendendo agora a 10,37 dólares o par, quando na década anterior os preços médios do calçado tinham aumentado menos de metade, ou seja, apenas 16,4%.

Salientando que a subida dos preços “será tendencial internacional” e “afetará os vários ‘players’”, a associação considera que “será uma inevitabilidade” e que “não adiantará às empresas resistirem”.

“Neste contexto, não terão outra solução”, reconheceu Paulo Gonçalves.

A quinta edição do inquérito ‘online’ ‘Business Conditions Survey’ foi realizada durante o mês de outubro com base em 122 respostas válidas a profissionais do setor, dos quais 43% com origem na Europa, 30% na Ásia, 13% e 7% na América do Norte e do Sul, respetivamente, 6% de África e 1% da Oceânia.

Perto de um terço (31%) dos inquiridos estão ligados à produção de calçado, 19% ao comércio e distribuição e os restantes 50% a outras atividades do setor (associações comerciais, consultoria e outras).

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