Poder de compra: Seis em cada dez portugueses estão a viver pior do que em 2021

Estudo ‘European Consumer Payment Report 2022’, promovido pela Intrum, resulta de um inquérito que decorreu com mais de 24 mil cidadãos em 24 países da Europa

Revista de Imprensa

Seis em cada 10 portugueses reconheceu estar pior financeiramente do que em 2021, segundo apontou o estudo ‘European Consumer Payment Report 2022’, promovido pela Intrum, após um inquérito que decorreu com mais de 24 mil cidadãos em 24 países da Europa: desde fevereiro que a confiança dos consumidores europeus tem caído, assim como a confiança na capacidade dos líderes para controlarem a escalada de preços. Em Portugal acredita-se que a inflação vai prolongar-se por tempo indeterminado.

“A inflação pesa no rendimento diário das famílias, levando a uma perda de poder de compra e a quebra no nível de vida”, apontou Luís Salvaterra, diretor-geral da empresa de serviços de gestão de crédito, em declarações ao ‘Diário de Notícias’, o que faz com que os consumidores se sintam “ainda mais inseguros do que durante os dias mais sombrios do confinamento”.

De acordo com o estudo, mais de 70% dos portugueses consideraram que as suas despesas fixas estão a evoluir mais rapidamente do que a sua remuneração, uma subida face aos 51% em 2021 que manifestaram a sua preocupação. A taxa de esforço tornou-se cada vez maior e, em alguns casos, incomportáveis – um terço dos inquiridos fica com menos de 10% do ordenado depois de saldar as dívidas mensais, pelo que o endividamento passa a ser uma tendência, apesar dos riscos. “Não é uma boa política”, frisou Luís Salvaterra. “Se tiverem dificuldades, devem contactar as entidades credoras e tentar negociar novos planos de pagamento.”

Em Portugal, 24% já pediu dinheiro emprestado ou atingiu o limite do cartão de crédito para pagar contas nos últimos seis meses – dos que atualmente pedem dinheiro emprestado a cada mês, para além da sua hipoteca e cartão de crédito, 37% pedem emprestado mais de 10% do valor dos seus rendimentos e 13% mais de 25%.

Tudo somado, 71% dos portugueses revelaram não sentir otimismo ao futuro, enquanto pela Europa a percentagem desce para 61%. “Vivermos muito tempo em crise, não termos um período de estabilidade e não vermos um fim à guerra. As coisas positivas demoram muito para acontecer no nosso país. Enquanto noutros países, como Espanha, a inflação e os preços já começaram a descer, em Portugal isto não está a acontecer, embora devesse, porque o custo da energia baixou. Às vezes, o preço aumenta porque tem de compensar os custos de produção, outras vezes é por mera especulação”, frisou o responsável.

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