Pessoas. Decisões. Progresso: o ecossistema perfeito para a criação de valor

Opinião de Hugo Lourenço, CEO da Agile 21 e organizador do Management Summit

Executive Digest
Setembro 19, 2025
10:34

Por Hugo Lourenço, CEO da Agile 21 e organizador do Management Summit

Durante muito tempo, acreditámos que a gestão era a resposta para quase tudo. Controlámos riscos, qualidade, custos e pessoas. Tudo parecia girar à volta do controlo. Mas aqui vai uma verdade desconfortável: o controlo, ou o excesso dele, é o inimigo da criação de valor.

Ao longo das décadas, os cargos de liderança foram perdendo a sua relevância. A gestão tornou-se obsoleta no momento em que passou a travar mais do que a libertar. Hoje, vemos equipas a cumprir processos e métricas com bastante rigor, mas a evitar conversas difíceis. a. Acabam por colaborar muito, mas tomam decisões irrelevantes e criam pouco do que realmente importa. Compreender tudo, mas mudar pouco do que é essencial para ser competitivo. No fundo, ganhámos eficiência nos processos, sim, mas perdemos a imaginação pelo caminho.

Mas acho que o problema raramente está nos processos. Está no silêncio. Na falta de confiança. No medo invisível que impede alguém de dizer: “isto não faz sentido. Podemos fazer melhor.” A nova vantagem competitiva não é mais eficiência, é mais segurança psicológica dentro das organizações. E não falo apenas de slogans vazios ou cultura decorativa. Falo de como se tomam decisões, de como se gerem erros, de como se distribui o poder e se ensina as pessoas a agir com autonomia.

Quando as reuniões não avançam ou quando tudo parece andar em círculos, é fácil culpar os processos. Mas o problema, ou a solução, está na forma como as pessoas comunicam (ou não), em como a segurança psicológica é (ou não) garantida, e em como a confiança é (ou não) construída. Há uma frase de Peter Drucker de que gosto muito, que diz: “tudo começa nos comportamentos. Os comportamentos criam hábitos. Os hábitos criam cultura. A cultura determina o que é possível alcançar em termos de performance.”

Por isso, para mim, o grande desafio da gestão atualmente são estes fatores comportamentais. Só ao enfrentar bloqueios invisíveis, como o medo, a indiferença, a resistência à mudança, é que conseguimos abrir caminho para decisões mais eficientes, menos erros, maior colaboração e equipas mais resilientes.

Todas as organizações que prosperam partilham estas caraterísticas. Perceberam que o verdadeiro ROI está em criar ecossistemas de valor, onde o risco é partilhado, a aprendizagem incentivada e a inovação acontece em toda a estrutura, não apenas no topo ou no departamento de inovação, deixando o resto da organização atolado em burocracia.

Não se trata de adotar mais frameworks ou metodologias. Trata-se de mudar as conversas e de criar condições para que boas decisões possam surgir com mais

frequência. Para mim, esta é a essência da gestão: dar espaço às equipas para experimentarem, falharem, aprenderem e crescerem. Fomentar comportamentos que moldam hábitos, hábitos que por sua vez moldam a cultura empresarial, e a cultura deve sempre moldar progresso, não travá-lo.

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