Trump ataca aliados da NATO e diz que Rússia e China não temem a aliança sem os EUA

O Presidente dos EUA voltou a atacar a NATO, afirmando que a aliança perde força sem o apoio norte-americano, numa semana marcada por apreensões de navios russos e novas tensões diplomáticas.

Executive Digest

O Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta quarta-feira que a Rússia e a China “não têm qualquer medo” da NATO sem o apoio norte-americano, num ataque direto aos aliados europeus da aliança militar. As declarações surgem num momento de forte tensão internacional, após os EUA terem apreendido navios petroleiros ligados à Rússia e à Venezuela e perante ameaças de Washington de tomar controlo da Gronelândia.

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Numa mensagem publicada nas redes sociais, Trump criticou os países membros da NATO por não cumprirem as metas de investimento em defesa. Segundo o Presidente, a maioria dos aliados investe apenas 2% do Produto Interno Bruto em despesas militares, abaixo do objetivo de 5% definido na cimeira da Haia no verão passado.

“Até eu chegar, os Estados Unidos estavam, de forma insensata, a pagar pelos outros”, escreveu Trump, acrescentando que duvida que a NATO estivesse disponível para defender os EUA caso o país enfrentasse uma ameaça direta.

Apreensão de petroleiros aumenta tensão com Moscovo

As declarações coincidem com uma operação militar norte-americana no Atlântico Norte, onde forças dos EUA apreenderam o petroleiro Bella 1, com bandeira russa, em águas entre a Islândia e a Escócia. O navio era procurado há semanas e terá sido recentemente escoltado por um submarino russo, depois de ter partido da Venezuela.

Imagens divulgadas mostram forças especiais a abordar o navio em alto mar. No mesmo dia, a Guarda Costeira dos EUA capturou um segundo petroleiro, o Sophia, ao largo das Caraíbas, numa operação coordenada destinada a bloquear o transporte de petróleo venezuelano para países considerados adversários de Washington, incluindo Rússia, China e Irão.

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O secretário da Guerra, Pete Hegseth, afirmou que o bloqueio ao petróleo venezuelano está em vigor e que nenhuma embarcação envolvida nesse comércio está fora do alcance dos Estados Unidos.

A Rússia reagiu, afirmando que nenhum Estado tem o direito de usar força contra navios devidamente registados sob a jurisdição de outros países.

Europa reage a ameaça sobre a Gronelândia

A Europa acompanha os desenvolvimentos com preocupação, depois de Trump ter ameaçado assumir o controlo da Gronelândia, território autónomo da Dinamarca. A Casa Branca confirmou que o Presidente está a analisar opções que incluem a compra do território ou o controlo da sua defesa.

Reino Unido, França e Itália emitiram uma declaração conjunta em apoio à Dinamarca, sublinhando a importância da soberania do território. A ameaça surge dias depois de uma operação norte-americana que levou à captura do líder venezuelano Nicolas Maduro.

Doutrina “Donroe” e nova estratégia regional

Trump tem promovido uma política externa mais agressiva, a que chama “Doutrina Donroe”, uma adaptação da Doutrina Monroe do século XIX, que defendia a exclusão de potências estrangeiras do continente americano.

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Segundo o Presidente, a presença da China, da Rússia e do Irão na América Latina representa uma ameaça direta aos interesses dos Estados Unidos. A administração aponta, em particular, a influência chinesa na região através de projetos de infraestruturas ligados à iniciativa Faixa e Rota.

Trump defende que os EUA devem impedir estes países de controlar recursos estratégicos, como energia e minerais, destacando que a Venezuela possui as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo.

Nos últimos dias, o Presidente tem tomado decisões sem consultar o Congresso ou os aliados da NATO, defendendo que o futuro do hemisfério ocidental deve ser decidido pelos americanos e não por instituições internacionais como a ONU ou a própria aliança atlântica.

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