Qualquer um de nós poderia pensar que em 2022 a pandemia de Covid-19 estaria já ultrapassada e seria um facto do passado, estando nós com as nossas mentes focadas em algo novo. Mas isto está muito longe de ser real. Hoje, esperamos que qualquer avanço na tecnologia em saúde nos ajude a lidar com incertezas, como a que estamos a enfrentar há quase dois anos, e que facilite a rápida resposta por parte dos prestadores de saúde, não só em Portugal, mas em todo o mundo.
A área da tecnologia médica teve que acelerar a sua evolução para “o futuro dos cuidados de saúde” como uma resposta ao contexto. O que estava a demorar anos a realizar, teve que ser feito em dias. Devido a isto, em 2022 e enquanto a telemedicina, Inteligência Artificial (IA) e cirurgia robótica prosseguem a sua trajetória de crescimento, as inovações terão que continuar a aparecer e continuar a permitir que os cuidados de saúde sejam cada vez mais precisos, preventivos e preditivos.
A Inteligência Artificial (IA) pode supor a transformação nos Cuidados de Saúde com maior impacto de sempre
A IA suporá, provavelmente, a transformação nos cuidados de saúde com maior impacto, trazendo consigo variadíssimas oportunidades quando adequadamente orquestrada e integrada no ambiente clínico. Irá incluir um aumento de produtividade por parte dos prestadores, incremento na precisão diagnóstica, melhoria na experiência por parte do paciente, redução da exaustão ao nível das equipes clínicas e uma alargada melhoria na qualidade dos cuidados prestados.
O futuro dos cuidados de saúde é um ciclo intrincado de fatores interconectados que têm sido acelerados pela chegada da pandemia global, mas não inteiramente definidos por ela. A Inteligência Artificial (IA) pode ser vista como a ferramenta chave para o futuro, mas que é sustentada e alimentada pela explosão na disponibilidade de dados.
As espectativas dos pacientes mudaram por um aumento do “virtual” durante a Covid-19, mas também por um maior interesse na sua própria condição física e saúde através de uma maior oferta ao consumidor de dispositivos “vestíveis” (frequentemente conhecidos como “wearable devices”). A Covid-19 e a alteração na forma como os pacientes são seguidos tem um efeito estruturante no repensar das estruturas de saúde. Onde os pacientes são vistos e como são vistos está talhado para mudar e esta mudança tem potencial para melhorar a pressão exercida sobre os prestadores de cuidados.
Dados para acelerar o diagnóstico
Os engenheiros e os cientistas de dados vão continuar, durante 2022, a melhorar a capacidade dos algoritmos para recolher e analisar a avalanche de dados que os clínicos necessitam de processar para o diagnóstico e para gerar um manancial de conhecimentos clínicos. Isto tem o potencial para melhorar a qualidade dos cuidados de saúde e permitir uma distribuição de trabalho mais justa, reduzindo o risco de burnout nos clínicos.
Isto é particularmente importante uma vez que houve uma explosão na quantidade de dados gerados pelos sistemas de saúde e que continua a crescer rapidamente, ao ritmo de 48% por ano[1]. Não se deve apenas ao aumento em registos de pacientes, ficheiros de texto ou resultados laboratoriais, mas também às imagens de diagnóstico de alta resolução usadas na vanguarda da saúde. Imagens 2D, 3D e registos diagnósticos com movimento em tempo real de ultrassons, TAC e ressonância magnética encheram os arquivos médicos com petabytes de dados. Há agora uma oportunidade de desbloquear e aproveitar estes dados para obter uma autopropulsão de benefícios para melhorar os fluxos de trabalho e cuidados aos pacientes, ao mesmo tempo que contribuem para futuras inovações em machine learning e inteligência artificial.
Encontram-se em pleno desenvolvimento produtos com inteligência artificial avançada e ferramentas de aquisição de imagem intuitivas, com écrans sensíveis ao toque e reduzidas áreas de implantação concebidas para operar em espaços reduzidos. Basicamente, dispositivos que simplificam o complexo e possibilitam rápidas avaliações que suportam os clínicos a tomar decisões que salvam vidas, tanto em ambientes críticos como no contexto pandémico como no tratamento de diversas patologias no quotidiano.
Um desses exemplos é a recente introdução em Portugal da Inteligência Artificial (IA) na simplificação de fluxos de trabalho. Os novos dispositivos multimodais com IA integram dados e perceções num processo simples e intuitivo de trabalho, minimizando a carga de trabalho para os atores clínicos ao agregarem múltiplos sistemas de validação simultaneamente num só local. Ao integrarem perfeitamente a IA no fluxo de trabalho clínico, automatizam e simplificam tarefas consumidoras de tempo.
O mundo da tecnologia médica continuará a ser parte ativa desta revolução nos cuidados de saúde e terá um papel crucial no âmbito da medicina de precisão ao colocar os pacientes e os clínicos no centro das inovações tecnológicas.
[1] IDC & EMC Study, https://www.cycloneinteractive.com/cyclone/assets/File/digital-universe-healthcare-vertical-report-ar.pdf
Rui Costa
General Manager, GE Healthcare Portugal














