Pedro Brito, associate dean for Executive Education & Business Transformation da Nova SBE, acredita que o futuro da educação executiva passa por um formato blended. Claro que existem vantagens de se utilizar o online para alguns momentos da jornada de aquisição de conhecimento. Por isso, acredita que um bom mix oferece uma proposta de valor mais rica. Em entrevista à Executive Digest, o especialista explica quais os maiores desafios da instituição no âmbito da formação de executivos.
Dada a situação actual e a evolução do processo de vacinação, todos os dados apontam para uma rentrée e um último quadrimestre de 2021, relativamente fortes. A partir deste momento, quais os maiores desafios para a vossa instituição no âmbito da formação de executivos?
O último quadrimestre do ano é tendencialmente mais forte do que o 1.º semestre, mas esta retoma é maior agora, tendo em conta o contexto de pandemia do ano passado. Neste momento, há um esforço acrescido para os docentes e para a organização, porque a nossa oferta formativa aumentou e integrou novas metodologias de aprendizagem. Com a possibilidade de realizar os programas em formato presencial, são muitas as pessoas e empresas que preferem tirar partido das vantagens que o campus de Carcavelos da Nova SBE oferece.
Que tendências de oferta e procura estão a ser introduzidas nos programas de formação de executivos? Cada vez mais à medida e direccionados ou mais abertos?
Quer em programas abertos, quer em programas mais customizados para empresas, existem algumas tendências muito evidentes. A primeira está ligada à expectativa de introduzir no portefólio de competências das lideranças novas ferramentas e conhecimentos. Depois existe uma expectativa crescente destes programas se aproximarem ao máximo da realidade dos participantes, permitindo uma aplicação prática imediata.
Quais as áreas e temas em expansão e em contratação?
A liderança é uma competência crónica e por isso é sempre alvo de actualizações. Neste caso, a introdução de temas como business analytics, sustentabilidade ou transformação digital tem sido cada vez mais recorrente. Temos também sentido uma procura elevada em temas relacionados com o futuro do trabalho, bem-estar e gestão da mudança. Não temos sentido uma contratação particularmente relevante em nenhuma área que trabalhemos. Existe sim uma maior empatia com programas que demonstrem ter uma maior ligação à realidade empresarial e uma aplicação prática mais evidente.
Fruto do contexto, o que gostariam de destacar ao nível de novas ofertas para o novo ano lectivo (tanto de upskilling como de reskilling)?
Os últimos dois anos amplificaram a necessidade de se repensar a forma como avaliamos o sucesso das organizações. Apesar das métricas económicas continuarem a ser determinantes, quer para os gestores, quer para os accionistas, é fundamental incluir métricas ligadas ao propósito da organização e que não estejam apenas focadas no curto prazo. Por essa razão, o tema da Sustentabilidade tem feito parte da agenda de grande parte dos executivos que nos procuram. Neste sentido, lançaremos ainda este ano a 1.ª edição da Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável.
Outro aspecto que o contexto tem demonstrado é a importância das organizações e dos seus líderes terem dados para tomarem melhores decisões, mais cedo. Conscientes da importância de promover culturas driven by data, temos programado lançar uma Pós-Graduação em Data for Business já no início do próximo ano. Finalmente, não poderíamos deixar de destacar que lançaremos os nossos primeiros Mestrados Executivos no início de 2022. Estes mestrados têm uma enorme aproximação às empresas, oferecendo um update de competências fundamentais para a criação de valor tão desejada pelas organizações e para a evolução na carreira dos profissionais.
Apesar de continuarem a privilegiar o formato presencial, entendem que existem oportunidades muito interessantes a explorar com o formato blended e 100% online? Quais são elas?
Acreditamos que o futuro da educação executiva passa por um formato blended. O online não consegue, na nossa opinião, substituir a aprendizagem presencial. Claro que existem vantagens de se utilizar o online para alguns momentos da jornada de aquisição de conhecimento. Por isso, acreditamos que um bom mix oferece uma proposta de valor mais rica.
Como prevêem a procura por parte de formandos internacionais?
A Nova SBE sempre foi muito procurada por estudantes estrangeiros, por causa da sua localização privilegiada e pelo reconhecimento internacional do nosso corpo docente, mas, durante o período de pandemia, pelos constrangimentos nas deslocações, essa procura foi reduzida aos programas online. Ainda assim, foi registado um número recorde de alunos estrangeiros durante este ano, ainda que muito alavancado nos programas online.
Consideram que a expectativa de experiência de aprendizagem dos participantes, no online e presencial, aumentou de forma exponencial?
Sem dúvida. Os participantes e as empresas são cada vez mais exigentes com as metodologias de aprendizagem que são aplicadas nos programas. A Nova SBE tem sido recorrentemente reconhecida pelas abordagens inovadoras e diferenciadas. Mas isso só é possível graças a um corpo docente de elevada qualidade académica, capaz de se adaptar a novas formas de ensinar (e aprender).
Na vossa opinião, quais são os principais desafios dos gestores no pós-pandemia?
Os gestores terão de abraçar uma nova realidade com o regresso ao escritório, que vai ser, sem dúvida, desafiante. A flexibilidade de horários e de locais de trabalho, a saúde mental, o bem-estar no trabalho e work-life balance, são apenas alguns destes novos desafios com os quais todos temos de aprender a lidar.
A Nova SBE, em parceria com a Agência Espacial Europeia (ESA) e as universidades St. Gallen (Suíça) e Rotterdam School of Management (Países Baixos), lançou o primeiro programa na Europa focado na economia e gestão do sector espacial: Space for Business. Qual é o objectivo?
Acreditamos que a economia espacial é uma área que está prestes a viver uma grande expansão e traz consigo muitas oportunidades de negócio, quer para grandes empresas quer para startups. Numa altura em que se começa a falar das primeiras viagens comerciais ao Espaço, é importante saber que a exploração espacial está a abrir novos mercados e a criar novas oportunidades de trabalho, na Terra e não só.
Por esta razão, foi criada uma parceria de excelência entre três escolas de gestão reconhecidas internacionalmente, com o objectivo de aprofundar o conhecimento sobre a indústria do Espaço, identificar oportunidades e desafios para o crescimento de organizações da área e construir uma rede de contactos de profissionais do sector.
A Nova SBE e a Le Wagon, conhecida escola de programação francesa e líder mundial em bootcamps de código, juntam-se pelo segundo ano consecutivo para apresentar mais um curso intensivo focado em data science. Esta é uma área com cada vez mais potencial?
A área da Data Sience está em franco desenvolvimento. É cada vez mais importante tomar decisões assentes em dados concretos, e essa importância só vai aumentar no futuro. Mesmo que não tenham um domínio total sobre a área, todos os profissionais terão de lidar com dados, directa ou indirectamente. E, com a aceleração do ritmo da vida e da velocidade a que os dados são produzidos, as empresas vão necessitar de pessoas que não só consigam analisar dados em tempo real, mas também tirar insights valiosos a partir dessas informações. Por isso, a formação nesta área é bastante solicitada no momento, mas terá certamente ainda mais procura num futuro próximo.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “MBA, Pós-Graduações & Formação de Executivos”, publicado na edição de Outubro (n.º 187) da Executive Digest.




