Recusa da vacina da AstraZeneca em Madrid dispara de 3% para 60%

O vice-diretor geral da Saúde do governo regional de Madrid, António Zapatero, anunciou esta sexta-feira que há cada vez mais pessoas na capital espanhola a recusar ser vacinadas com a injeção da AstraZeneca.

Simone Silva
Abril 9, 2021
13:34

O vice-diretor geral da Saúde do governo regional de Madrid, António Zapatero, anunciou esta sexta-feira que há cada vez mais pessoas na capital espanhola a recusarem ser vacinadas com a injeção da AstraZeneca, depois dos últimos acontecimentos que a ligam a coágulos sanguíneos.

Segundo o responsável estes acontecimentos que resultaram em alterações à administração da vacina em Espanha, geraram muita confusão e originaram uma redução dos dados de vacinação em Madrid: até 10.046 pessoas tinham sido vacinadas na quarta-feira, e no dia seguinte, (que coincidiu com a implementação das mudanças) foram pouco mais de 5.600.

Para esta sexta-feira, adiantou Zapatero, apenas 45% das marcações para a vacinação foram confirmadas. «A mudança de critério sem base em nenhuma evidência científica, resultou numa recusa de 60% da vacinação com este fármaco», disse. Anteriormente a recusa era de apenas 3%.

Em causa está a confirmação avançada na quarta-feira por parte da Agência Europeia do Medicamento (EMA), de uma «possível ligação» entre a vacina AstraZeneca e os casos incomuns de coagulação sanguínea relatados em algumas pessoas que receberam a vacina. Ainda assim, o regulador mantém uma avaliação positiva sobre o seu benefício, sublinhando que supera os riscos.

De acordo com o regulador europeu, estes casos muito raros de coágulos de sangue ocorreram, principalmente, em mulheres com menos de 60 anos de idade no prazo de duas semanas após a vacinação, embora não se tenha chegado a qualquer conclusão sobre fatores de risco específicos.

Espanha anunciou que vai continuar a administrar a vacina, mas apenas à população com mais de 60 anos, à semelhança de Portugal. A mesma medida vai ser adotada pela Alemanha, Países Baixos, Itália, Estónia, Filipinas e Austrália. Outros países europeus tomaram medidas semelhantes.

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