Faz hoje 80 anos que Nagasaki foi atingida por uma bomba atómica dos EUA: a cerimónia comemorativa do bombardeamento atómico da cidade japonesa terá início às 10h40 (2h40 em Lisboa) deste sábado, com capacidade para cerca de 2.700 pessoas
A cerimónia acrescentará os nomes dos últimos ‘hibakusha’ (sobreviventes, em japonês) que faleceram à lista oficial de vítimas na caixa que contém as identidades de todos os mortos pelo bombardeamento de 9 de agosto de 1945, que no ano passado totalizou 198.785 pessoas.
Yuriko Nakao, a ‘hibakusha’ de 93 anos que será responsável pela colocação da lista de nomes na caixa, disse que o dia 9 de agosto assinala também o dia da morte da sua mãe.
“O dia 9 de agosto é também o aniversário da morte da minha mãe. Vou recordar esse dia durante a minha participação na cerimónia”, sublinhou, em declarações ao meio de comunicação japonês NHK.
O evento na cidade do sudoeste do Japão é um evento com menor visibilidade do que o anterior, em Hiroshima, a 6 de agosto, que atraiu um número recorde de 55.000 participantes, incluindo sobreviventes, familiares das vítimas, representantes políticos nacionais e diplomatas de 120 países e regiões.
O Governo de Nagasaki enviou convites a todas as 157 legações diplomáticas com presença no Japão e à União Europeia, mas embora também se esperasse uma participação histórica, nos últimos dias registou-se uma diminuição do número de participantes previstos.
Até 28 de julho, 101 países e regiões tinham confirmado a sua presença, mas no dia 6, aniversário do ataque nuclear a Hiroshima, o número desceu para 95, segundo o jornal local Yomiuri.
A China foi a última a anunciar na passada quinta-feira que não participará na cerimónia de Nagasaki.
A cidade japonesa disse não ter recebido uma razão específica para a ausência de Pequim, que tem participado no evento todos os anos, mas a sua primeira ausência coincide com a decisão do governo local de aceitar a presença de Taiwan (que a República Popular da China reivindica como parte do seu território).
A cerimónia de Nagasaki realizou-se no ano passado com ausências assinaláveis, incluindo Canadá, França, Alemanha, Itália, Reino Unido, Estados Unidos e os membros do G7, com exceção do próprio Japão, bem como a União Europeia, devido à decisão da cidade de não convidar Israel nessa ocasião.
O presidente da Câmara de Nagasaki, Shiro Suzuki, reiterou em declarações em junho, durante uma visita de imprensa à agência espanhola EFE, que esta decisão se devia ao receio de que a cerimónia fosse afetada por acontecimentos imprevistos, como manifestações contra a guerra na Faixa de Gaza.
A Rússia e a Bielorrússia não foram convidadas nessa ocasião devido ao seu papel na guerra na Ucrânia, mas desta vez todos os países foram convidados.
“Este ano, as circunstâncias internacionais estão a tornar-se mais graves, as divisões entre países estão a agravar-se (…) O objetivo original desta cerimónia é promover a paz, rezar em conjunto por uma paz duradoura. Temos de ultrapassar todas estas divisões”, acrescentou Suzuki.
O presidente da Câmara de Nagasaki falou também da necessidade de perpetuar a memória dos ‘hibakusha’ e da necessidade de “as suas lições se tornarem as nossas lições”, para que as novas gerações as possam conhecer mesmo depois de terem partido.
Para além das vítimas de Nagasaki, outras 70.000 pessoas morreram três dias antes, a 6 de agosto de 1945, no bombardeamento da cidade de Hiroshima, estimando-se em 400.000 o número total de mortos até à data.
Os Estados Unidos lançaram uma bomba atómica sobre Hiroshima em 6 de agosto de 1945 e outra sobre Nagasaki em 9 de agosto, a única vez na história em que foram utilizadas armas nucleares numa guerra.








