“É um perigo para o Estado”: Almirante Gouveia e Melo alerta para risco de traficantes comprarem populações e autoridades locais

Portugal e Espanha são porta de entrada de qualquer coisa como 33 mil toneladas de haxixe, vindas do Norte de África, sendo que o negócio do tráfico desta droga representará cerca de 70 mil milhões de euros – um terço do PIB português. O almirante Gouveia e Melo, chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima, manifesta-se preocupado que os ganhos milionários dos esquemas de tráfico de droga sejam usados para subornar populações civis vulneráveis, mas também elementos da autoridade.

O responsável, em entrevista ao Correio da Manhã, explica que as técnicas de desembarque nas costa portuguesa e espanhola estão diferentes, e já não são feitos próximos da costa e em praias.

“Agora vamos procurar os traficantes mais longe da costa, no meio oceânico, onde acontecem os encontros logísticos, e temos obtido bons resultados”, indica Gouveia e Melo.

O objetivo tem sido conseguido, o de empurrar as atividades ligadas ao tráfico de haxixe ara alto-mar, e afastá-las da costa. Ao detetarem a presença de elementos da autoridade, os traficantes tendem a atirar os fardos de droga para o mar.

Assim, quando a lancha é intercetada, não tem droga a bordo e quem a conduz acaba apenas identificado. Em Espanha a lei é mais rígida e proíbe estas embarcações com motores com mais de 204 cavalos, pelo que há muitas redes que escolhem estabelecer-se em território português.

Assim, constitui-se uma ameaça de que os ‘frutos’ do negócio da droga seja usados para “pagar subornos às populações mais desfavorecidas”, de forma a colaborarem e permitiram a continuação e crescimento do tráfico de droga.

Gouveia e Melo considera que esta “infiltração na nossa estrutura social, que vai corrompendo a nossa sociedade”, é “um perigo para o Estado, principalmente quando tentam subornar os próprios operacionais e autoridades locais”.

No ano passado, as várias operações de combate ao tráfico de droga realizadas pela Autoridade Marítima e Marinha, com o apoio da Força Aérea, levaram à apreensão de 33 toneladas de haxixe. Foram apreendidas 35 lanchas rápidas e detidos ou identificados 87 suspeitos de crimes de tráficos de droga, na sua maioria de nacionalidade marroquina ou espanhola.

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