Ascenza: 60 anos de compromisso com a agricultura

A celebrar seis décadas de actividade, a Ascenza percorreu um caminho marcado pela inovação e pela expansão internacional, mantendo-se fiel às suas origens.

Executive Digest
Agosto 11, 2025
14:04

A Ascenza inicou em 1965 a sua actividade no sector da proteção de culturas. Um dos primeiros marcos tecnológicos foi a aquisição da tecnologia de enxofre molhável, que viria a distinguir a marca no mercado.

A década de 90 trouxe uma aposta clara na diversificação de fornecedores, incluindo mercados asiáticos, o que permitiu reforçar a competitividade da empresa. Em 1998, a Ascenza atingiu a liderança do mercado português na área da protecção das culturas, com uma quota de 18% e um volume de vendas de 20 milhões de euros.



O final dos anos 90 marcou também o início da internacionalização. De acordo com Rui Correia, Head of Central Marketing da empresa, em 1999, a expansão para Espanha demonstrou «a escalabilidade do nosso modelo de negócio e a nossa capacidade de adaptação a novos contextos». Pouco depois, em 2000, a aquisição da Tradecorp em Espanha e o lançamento da Selectis em Portugal reforçaram a presença ibérica e a aposta na diferenciação técnica.

Ao longo da década seguinte, a Ascenza consolidou-se como um dos principais intervenientes no sul da Europa, expandindo-se para França, Itália, Grécia, Bulgária e Roménia. Em 2013, o volume de vendas ascendia já aos 116 milhões de euros.

A presença em mercados mais distantes começou a desenhar-se em 2017, com a entrada no Brasil, seguindo-se o México em 2020, sempre com uma estratégia adaptada às especificidades agrícolas de cada região.

Em 2018, a empresa lançou uma nova identidade corporativa, adoptando a marca Ascenza como símbolo de uma fase de crescimento e resiliência.

Nos últimos anos, o investimento na digitalização tornou-se uma prioridade, com o lançamento de uma plataforma online que hoje serve clientes em seis países. Em 2024, a construção de uma nova torre de secagem veio aumentar em cerca de 30% a capacidade de produção de formulações WG, uma das expertises da empresa.

Rui Correia sublinha que este percurso de seis décadas é também uma base para o futuro: «Celebramos 60 anos de inovação, mas com os olhos postos no amanhã. Estamos a evoluir o portefólio com soluções mais sustentáveis e tecnologias avançadas de formulação, sempre com o objectivo de reduzir o impacto ambiental.»

Actualmente, com mais de 550 colaboradores, 950 registos de produtos e uma receita superior a 220 milhões de euros, a Ascenza posiciona-se como uma referência na protecção de culturas, sobretudo no sul da Europa, mantendo a aposta na modernização da unidade industrial de Setúbal como pilar para o crescimento sustentável.

SUSTENTABILIDADE E TECNOLOGIA

A sustentabilidade é uma prioridade estratégica para a Ascenza, que tem vindo a integrar práticas responsáveis tanto no desenvolvimento de produtos como na relação com os agricultores.

Rui Correia explica que o programa NERTHUS da empresa assenta em dois pilares principais: a gestão responsável dos produtos fitofarmacêuticos e a promoção da sustentabilidade agrícola. No portefólio, destacam-se soluções biológicas como a linha Blexia, que privilegia uma bioprotecção com menor impacto ambiental.

Paralelamente, a Ascenza investe no desenvolvimento de produtos que reduzem a quantidade de substâncias activas por hectare, melhorando a eficácia e minimizando riscos para os operadores e para o ambiente.

Do lado operacional, a empresa lançou o Plano Net Zero, focado na ecoeficiência e descarbonização das operações, incluindo a instalação de painéis fotovoltaicos na unidade fabril.

A formação contínua dos agricultores é outro elemento-chave, através de acções presenciais e da plataforma Xperts by Ascenza, que disponibiliza conteúdos educativos sobre boas práticas agrícolas e uso seguro dos produtos.

Além disso, a Ascenza implementa práticas como a reutilização de águas de lavagem, gestão eficiente de resíduos e sistemas fechados de transferência de produtos no campo, como o easyconnect CTS, evidenciando uma abordagem integrada à sustentabilidade, que abrange toda a cadeia, desde a produção até à utilização final.

Face às crescentes exigências dos consumidores em relação à sustentabilidade e segurança alimentar, a Ascenza tem ajustado as suas estratégias em várias áreas da actividade.

Rui Correia explica que a empresa tem vindo a apostar num portefólio de produtos com menor impacto ambiental, como é o caso da feromona para a traça do olival, que permite controlar a praga sem aplicação de produtos fitofarmacêuticos.

Além disso, a Ascenza apoia a Protecção Integrada de Pragas (IPM) e promove práticas agrícolas que garantem um controlo rigoroso dos resíduos, cumprindo os padrões internacionais de segurança alimentar, respondendo assim às expectativas crescentes dos consumidores.

A incorporação de tecnologias inovadoras é outro dos pilares que permite à Ascenza optimizar o desenvolvimento e a eficácia dos seus produtos. Rui Correia destaca que «no âmbito da Indústria 4.0, a empresa centralizou os comandos das torres de secagem, garantindo maior precisão no controlo e eficiência nos consumos energéticos». Além disso, «a modernização do sistema de pesagem assegura dosagens automáticas e precisas, enquanto a implementação de robôs colaborativos nas linhas de embalamento melhora a produtividade e as condições de trabalho».

No domínio da estratégia de resiliência, a Ascenza mantém alternativas tecnológicas para os seus produtos principais, garantindo flexibilidade perante alterações regulatórias e assegurando a eficácia operacional. Rui Correia sublinha ainda o investimento contínuo em investigação e desenvolvimento e em parcerias estratégicas, que promovem a transferência de conhecimento e o desenvolvimento de soluções baseadas em dados e ciência aplicada.

Na fábrica de Setúbal, a tecnologia desempenha um papel essencial na melhoria contínua de toda a cadeia de valor. A Ascenza actua em várias frentes para garantir este objectivo: na I&D, recorre a plataformas digitais e simulações químicas para acelerar o desenvolvimento de soluções mais eficazes e sustentáveis. Ao nível da automação, sistemas SCADA, sensores IoT e controlo em tempo real aumentam a eficiência, reduzem variabilidades e garantem qualidade.

A empresa destaca também a importância da rastreabilidade, assegurada por monitorização digital completa, que garante a conformidade, minimiza erros e facilita auditorias. A manutenção preditiva, baseada em dados, permite antecipar falhas, reduzir paragens e aumentar a fiabilidade dos processos.

No campo da sustentabilidade, a tecnologia é usada para optimizar o consumo de recursos, reduzir resíduos e promover o reaproveitamento de subprodutos. Ferramentas ERP e plataformas colaborativas ligam fornecedores e clientes, tornando os processos mais integrados, enquanto as soluções de Business Intelligence geram informação essencial para decisões mais rápidas e eficazes.

No plano industrial, a Ascenza identifica a modernização tecnológica como um dos principais desafios, sobretudo no controlo e automação dos processos produtivos na unidade de Setúbal.

PROGRAMAS E FORMAÇÃO

A Ascenza tem alinhado a sua estratégia de sustentabilidade com os Objectivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) das Nações Unidas, através do Programa Nerthus.

Neste âmbito, a empresa foca-se em quatro dos dezassete ODS, desenvolvendo acções concretas para garantir um sistema alimentar mais justo. No que diz respeito ao “Fome Zero”, a Ascenza disponibiliza soluções agrícolas sustentáveis e de baixo risco, que ajudam os produtores a melhorar a eficiência com menor impacto ambiental.

Em “Vida na Terra”, o investimento em I&D visa reduzir o impacto ambiental e proteger a biodiversidade, ao mesmo tempo que promove práticas sustentáveis e a formação contínua de agricultores.

Já na vertente de “Acção Climática”, o projecto Net Zero tem como meta descarbonizar as operações fabris e reduzir a pegada de carbono em 40%, apostando em energias renováveis e em medidas de eficiência energética.

Por fim, no âmbito da “Produção Responsável”, a empresa implementa práticas sustentáveis como a reutilização de águas e a reciclagem de embalagens, garantindo uma elevada taxa de recuperação de plásticos.

A Ascenza aposta numa estratégia de proximidade para garantir a formação e o apoio técnico aos agricultores, assegurando a utilização correcta dos seus produtos e equipamentos.

Para isso, as equipas de marketing técnico prestam apoio local nos diferentes países onde a empresa opera, acompanhando agricultores, técnicos e distribuidores no terreno. Este suporte abrange desde a correcta aplicação dos produtos até à partilha de recomendações técnicas, ajustadas às principais pragas e doenças que afectam cada cultura. O trabalho de proximidade pode incluir reuniões, visitas a campo ou demonstrações de ensaios.

Paralelamente, a Ascenza disponibiliza conteúdos formativos em formato digital, como webinars, podcasts, vídeos técnicos e artigos especializados, reforçando o apoio técnico com recursos acessíveis em qualquer altura.

De acordo com Rui Correia, o sector agrícola enfrenta hoje «desafios complexos relacionados com a segurança alimentar, as alterações climáticas e a necessidade de práticas mais sustentáveis». Neste contexto, a Ascenza acredita estar preparada para acompanhar a evolução, destacando que está «a desenvolver uma nova geração de produtos que permite reduzir a quantidade de substâncias activas por hectare, mantendo — ou até melhorando — a eficácia, com menor impacto para o operador e para o ambiente».

Este trabalho assenta também na preparação das equipas, que estão «cada vez mais capacitadas e dotadas de ferramentas que lhes permitem trabalhar processos internos de forma mais ágil e eficaz, garantindo uma maior competitividade da empresa».

Além disso, reforça-se a ligação ao terreno com o «processo de digitalização da comunicação, com ferramentas que nos permitem chegar a mais pessoas — agricultores, distribuidores e técnicos — de forma mais rápida e com informação e formação cada vez mais relevante, no momento certo da campanha agrícola», conclui Rui Correia.

» Rui Correia, Head of Central Marketing da Ascenza

Este artigo faz parte do Caderno Especial “Negócios da agricultura e da indústria agro-alimentar”, publicado na edição de Julho (n.º 232) da Executive Digest.

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