O 5G aproxima-se a passos largos e a NOS já tem vários projectos em curso que fazem uso da quinta geração de comunicações móveis. Manuel Ramalho Eanes, administrador executivo da NOS, revelou à Executive Digest as propostas e as aplicações que esta tecnologia poderá ter, sendo que uma coisa é certa. Vai mudar tudo.
O 5G está a chegar a Portugal. Quais as grandes oportunidades que esta tecnologia vai trazer?
Portugal e o resto do mundo precisam do 5G para cumprir os desafios tecnológicos da próxima década. Esta nova tecnologia irá abrir um mundo de possibilidades e alavancar a transformação digital portuguesa, sendo uma oportunidade transversal aos mais diversos sectores. O elevado potencial transformador do 5G, terá como principal foco a quarta revolução industrial e a criação de valor essencial para a evolução da sociedade – transversal a todos os verticais económicos. Como enabler de uma sociedade digital, o 5G assenta em quatro pilares disruptivos: velocidade, latência, densidade e fiabilidade. Só através destas características será possível ligar tudo e todos e colher para todos os benefícios de uma sociedade hiperconectada. Esta híper-sensorização permitirá implementar, alavancar e acelerar a adopção de tecnologias disruptivas como a Inteligência Artificial, a Internet das Coisas (IoT), o Edge Computing, a Realidade Aumentada e Virtual, os Veículos Autónomos, a Analítica de Vídeo, a Automação e Robotização e outras disrupções que ainda não imaginamos.
Ao contrário do 4G e do 3G, que se centravam no utilizador, a disrupção do 5G começa nas empresas e serviços que elas fornecerão com base nesta tecnologia. É isso que torna o 5G mais impactante que as gerações de conectividade?
O 5G não é só mais um “G”. Mais do que uma nova geração da rede móvel, mais do que velocidade e resposta instantânea, mais do que milhões de equipamentos ligados entre si, o 5G é disrupção. Na perspectiva do consumidor, vai haver uma evolução das plataformas e ferramentas de comunicação e colaboração, executivedigest.pt 41 uma automatização de muitos processos e experiências mais imersivas e com menos esforço (computer vision para reconhecimento facial, veículos autónomos). Nas empresas, o impacto vai sentir-se primeiro. O 5G vai aproximar empresas e clientes, facilitar o trabalho e os negócios e suportar a criação de novos produtos, serviços e modelos de negócio. É uma oportunidade para a economia portuguesa se desenvolver numa era verdadeiramente digital. Na Indústria, por exemplo, teremos mais robotização e novas tecnologias de Realidade Aumentada que melhoram a produtividade e a eficiência. É a chegada da Indústria 4.0, suportada por uma rede segura, fiável e sempre ajustável.
A NOS anunciou recentemente o Estádio da Luz como o primeiro “estádio 5G” em Portugal. Em que consiste este projecto e o que muda para jogadores, adeptos e colaboradores do Estádio da Luz?
O primeiro Estádio 5G é a prova de que, ao apostar na inovação e dando espaço à mudança, é possível criar valor para todos – adeptos, parceiros e instituição. O 5G vem revolucionar a forma como assistimos e vivemos o futebol. Este projecto pioneiro vem potenciar a transformação digital do desporto a partir do futebol com uma experiência mais colaborativa, conectada e integrada. O 5G vai permitir aos mais de 65 mil adeptos que o Estádio do Sport Lisboa e Benfica comporta, uma experiência de acesso à internet móvel em média 10 vezes mais rápida, com velocidades superiores a 1 Gbps o que significa downloads e uploads de fotografias ou vídeos de forma quase instantânea ou videochamadas sem interrupções. Vai permitir também experiências imersivas utilizando realidaIndúsde virtual ou aumentada, fazer streaming de vídeo em directo ou videochamadas com melhor qualidade; apontar o telemóvel para um jogador e ver em tempo real as suas estatísticas ou o seu histórico de performance no Benfica, ou mesmo a que velocidade um remate foi feito; escolher uma das câmaras que estão a filmar os jogos e ver a emissão pelo ângulo que os adeptos preferirem; ver as repetições no momento. Para o funcionamento dos clubes, ter rede 5G no estádio vai permitir: comunicação mais eficiente entre as equipas técnicas, o treinador e os jogadores; avaliar melhor o desempenho dos jogadores durante o jogo ou treino, com acesso a dados estatísticos (ex: nível de cansaço, performance, distância remate…); fazer análises tácticas em tempo real. Trará também vantagens para todos os serviços e entidades relacionadas com o clube, como as emissões televisivas (BTV e todas as outras televisões), restauração ou até as caixas multibanco.
Que outros projectos deste tipo estão planeados para o lançamento do 5G da NOS em Portugal?
A NOS tem vindo a preparar o caminho para a chegada do 5G ao longo dos últimos anos. Fomos pioneiros ao fazer de Matosinhos a primeira cidade 5G, que temos usado como piloto para desenvolver projetos no âmbito das cidades inteligentes. A nossa rede está preparada e o nosso foco tem sido trabalhar no desenvolvimento de casos que nos permitam testar a tecnologia e pensar em soluções que possam ser desenvolvidas quando o 5G for uma realidade. O primeiro estádio 5G e o primeiro jogo 5G, que realizamos recentemente com o SL Benfica, são apenas um exemplo do que estamos a fazer. Hoje, já é possível experimentar a rede 5G nas lojas NOS, através de serviços e Apps de Gaming, Realidade Virtual e Realidade Aumentada, numa antevisão do que vai ser o futuro do entretenimento. A chegada do 5G é um marco a todos os níveis e estamos empenhados em levar a tecnologia às pessoas ainda antes de o 5G ser uma realidade. Falamos da tecnologia que vai mudar radicalmente a forma como vivemos e que terá um papel crucial no futuro que queremos deixar às próximas gerações. Por esse motivo, há todo um novo mundo de oportunidades que se abrem com o 5G e que a NOS vai saber aproveitar, com muitos projectos a serem preparados para levar a quinta geração de redes móveis às pessoas e às empresas.
As Smart Cities e a mobilidade são áreas onde o 5G vai permitir uma revolução. Como é que o 5G da NOS vai mudar a vida nas cidades?
O 5G vem trazer uma enorme capacidade de sensorização de activos físicos que criam a oportunidade de conectar diferentes infra-estruturas da cidade (luminárias, semáforos, caixotes de lixo, jardins, etc.) com a finalidade de optimizar a sua operação, com melhoria dos serviços e uma maior integração de todos os domínios com visibilidade em tempo real das acções no terreno. Esta transformação irá melhorar a qualidade de vida das pessoas, a sua interacção com os diferentes serviços públicos e a criação de novos serviços numa cidade mais eficiente e sustentável. O investimento financeiro, humano e de investigação e desenvolvimento nas mais sofisticadas e eficientes soluções de Smart Cities, tem posicionado a NOS como o parceiro dos municípios e entidades mais bem capacitado na transformação digital em todo o país, com provas dadas em várias cidades portuguesas onde os cidadãos já recolhem os benefícios das soluções implementadas no seu dia-a-dia. Num futuro próximo, o 5G será um enabler para tornar as cidades inteligentes em sociedades superinteligentes. Mas o futuro que se ambiciona cria-se hoje para tornar as cidades portuguesas mais seguras, eficientes, sustentáveis, competitivas e próximas das pessoas.
A Realidade Aumentada é outra das área que será muito potenciada pelo 5G. Quais as suas aplicações potenciais?
A Realidade Aumentada será uma força tecnológica transformadora em vários sectores de actividade, capaz de gerar resultados de forma rápida, impactando bastante a dinâmica de uma cidade para quem nela vive, trabalha ou visita. Na cultura será capaz de mudar a forma como os municípios promovem a sua história, a sua cultura e a sua gente, através de experiências como reconstruções históricas ou visitas virtuais. No Turismo, a Realidade Aumentada ajuda a criar um efeito de memória único e diferenciador pela experiência sensorial que transmite a quem com ela interage. Para o Retalho ou Restauração, traz a possibilidade de promover os espaços de comércio e restauração locais, através da dinamização da comunicação e da interacção com o público. Nos Serviços Municipais, contribui para a revolução de processos, automatização de tarefas e simplificação do relacionamento com os cidadãos. E estes são apenas alguns dos exemplos da aplicação desta tecnologia nas cidades. Na Indústria, vai permitir melhorar a informação dos trabalhadores através de ambientes imersivos, adoptar metodologias de formação potenciadas com realidade aumentada ou virtual.
Também o sector da Saúde é visto como um dos grandes focos do 5G. Quais os vossos projectos?
São diversas as aplicações do 5G que vão melhorar a saúde de todos. Destacamos os quatro use-cases mais relevantes: a Realidade Imersiva, auxiliada pelas tecnologias de realidade aumentada e virtual, vai permitir a criação de um suporte remoto especializado de auxílio aos profissionais de saúde, seja por videochamada onde podem instruir e interagir com o campo de visão do especialista, seja na recriação de cenários e ambientes virtuais para formação ou diagnóstico. Esta nova realidade é possível tendo em conta os benefícios transversais do 5G, como a baixa latência ou a alta largura de banda, que vão permitir melhorar a experiência não só dos profissionais de saúde, mas também dos pacientes. O Video Analytics no sector da saúde vai permitir estudar e actuar em tempo real sobre padrões de movimentação e realizar análises clínicas, através de computação de vídeo captado por sensores de imagem, com processamento na rede, e pelo fornecimento de algoritmos e geração de outputs de informação. A Sensorização e Tracking, tanto para monitorização de pessoas como de equipamentos, permite, através da utilização de dispositivos IoT, monitorizar, por exemplo, doentes crónicos, com sistemas de acompanhamento em tempo real e emissão de alertas em caso de emergência. Isto vai potenciar a democratização no acesso a cuidados em saúde qualquer que seja a geografia e permitir que o ecossistema de cuidados de saúde esteja mais integrado e preparado para responder aos desafios dos novos pacientes que serão mais digitais. A saúde é um sector que consome muita energia e a sensorização e monitorização de consumos de electricidade, água, gás e ar comprimido vai permitir a análise de desvios e uma melhoria significativa na eficiência. A Saúde Remota, que se tangibiliza num conjunto de soluções de colaboração médica à distância. A Telemedicina, ou seja, a assistência médica por videochamada com agendamento de consultas de rotina ou especializadas, que terá com o 5G mais qualidade pela alta largura de banda disponibilizada, mas também pela segurança e fiabilidade que o 5G preconiza. As ambulâncias conectadas partilham em tempo real dados e informação sobre o doente pela ambulância de transporte e o hospital, com uso de sensores e videochamada, e, num horizonte temporal um pouco mais alargado, as intervenções remotas, ou seja, a realização de intervenções médicas à distância com recurso à robotização. No futuro, podem mesmo vir a ser possíveis cirurgias remotas.
Este artigo faz parte do Caderno Especial “Executive IT”, publicado na edição de Maio (n.º 182) da Executive Digest.




