Nuno Carvalhosa, Presidente executivo da Cellnex Portugal, gestora de infraestruturas de Telecom, destaca três desafios principais que espera enfrentar no seu sector de atividade: a inflação, a escassez de recursos e a consolidação das várias aquisições, onde investiu cerca de dois mil milhões em Portugal desde o início de 2020 com o desenvolvimento acelerado do 5G no país. Dos desafios referidos, o terceiro é específico do seu sector e da empresa.
“O nosso forte crescimento exige-nos esforços consideráveis de integração e consolidação das várias transações realizadas. Isto, ao mesmo tempo que vimos investindo massivamente na adaptação das nossas infraestruturas existentes e na construção de novas infraestruturas para permitir um crescimento acelerado do 5G em Portugal», afirma. Para o gestor, com mais de 400 novas infraestruturas desde 2020, mais de 90% das quais fora dos principais centros urbanos, a empresa está a contribuir para o reforço da coesão social, económica e territorial do País, melhorando a cobertura da rede móvel e levando as mais modernas tecnologias a várias zonas remotas e eixos viários e ferroviários periféricos”.
Num mundo imprevisível como este em que vivemos, o presidente executivo identifica três características fundamentais para um gestor. “A capacidade de antecipar oportunidades e desafios, a flexibilidade e celeridade de adaptação, não só do gestor como da empresa que dirige, às novas circunstâncias, e a garantia de uma cultura de trabalho que ofereça aos colaboradores um propósito, um crescimento e uma motivação que promovam as perspetivas de carreira. Estamos perante um quadro de elevadas taxas de inflação e altas e crescentes taxas de juro, inexistentes desde há cerca de 40 anos e de 10 anos, respetivamente. Estas circunstâncias verdadeiramente novas já começaram a gerar novos desafios e novas oportunidades – de curto e de médio, longo prazo. E sublimam, naturalmente, a necessidade de um forte sentido de agilidade e flexibilidade – de cada colaborador e da própria organização. Sem uma cultura de trabalho com os atributos acima indicados, tanto mais num mercado laboral que permanece aquecido, as empresas não poderão atrair nem reter o talento, comprometendo o seu próprio sucesso”.
Segundo o gestor, a perspetiva para Portugal em termos macroeconómicos é naturalmente desafiante. Não mais, no entanto, do que para algumas outras grandes economias da Zona Euro. “Portugal continua a ter um nível elevado de dívida pública e vários problemas estruturais, como a fiscalidade pouco incentivadora da manutenção do talento no país, a forte fragmentação do tecido empresarial e a fraca produtividade, bem como o nível ainda baixo de literacia (geral e digital). Em sentido oposto, dependemos pouco do petróleo e gás russos, reconhecem-nos eficácia na gestão das contas públicas, e temos desenvolvido projetos inovadores de IDE e clusters relevantes, como um vibrante ecossistema de start-ups. A evolução recente do spread da nossa dívida soberana indica que os mercados vêm depositando confiança na nossa capacidade em ultrapassarmos os desafios macroeconómicos mais recentes. A evolução da inflação e das taxas de juro, e a entrada ou não em recessão das principais economias irão, nos próximos meses, mostrar se mantivemos ou não esta capacidade”, conclui.




