O Governo moçambicano quer apostar na cooperação com a empresa americana de produção de aeronaves Boeing para a reestruturação e rentabilização das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM), companhia de bandeira, refere uma nota do Ministério dos Transportes e Logística.
De acordo com a nota, para concretizar esta pretensão, o ministro dos Transportes e Logística moçambicano, João Jorge Matlombe, encontrou-se com um representante da empresa, nos Estados Unidos da América, à margem da Conferência Internacional do Banco Mundial sobre “Transforming Transportation”.
“Reuniu-se com o representante da Boeing, gigante aeroespacial americana e líder mundial na fabricação de aeronaves, tendo convidado a empresa a juntar-se aos esforços do Governo para reestruturação e rentabilização das Linhas Aéreas de Moçambique (LAM)”, lê-se na nota do Ministério.
Segundo o Ministério dos Transportes e Logística, a Boeing manifestou abertura para a possibilidade de aprofundamento das conversões, sendo que, para o efeito, ficaram agendados novos encontros entre as partes para abril próximo.
A companhia enfrenta há vários anos problemas operacionais relacionados com uma frota reduzida e falta de investimentos, com registo de alguns incidentes, não fatais, associados por especialistas à deficiente manutenção das aeronaves, estando atualmente num profundo processo de reestruturação.
Em 17 de fevereiro, Moçambique anunciou a intenção de partilhar da experiência da Etiópia na formação de pilotos e na restruturação da LAM, com a companhia Ethiopian Airlines a manifestar interesse em voar para o centro e norte do país.
“Eles têm a maior companhia aérea de África, nós temos o sonho de revitalizar a LAM e não há melhor sítio para estudar do que aqui, porque eles partiram do nada. É uma experiência que está lá e que podemos colher deles”, disse na altura o embaixador de Moçambique na Etiópia, Nuno Tomás.
A LAM deixou de realizar voos internacionais há praticamente um ano, concentrando-se nas ligações internas, levando também a uma nova administração em maio e à entrada, como acionistas, da Hidroelétrica de Cahora Bassa (HCB), da Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) e da Empresa Moçambicana de Seguros (Emose).
Para minimizar os recorrentes problemas com cancelamento de voos, a companhia tem vindo a adquirir e alugar novas aeronaves, a última das quais um Airbus A319 de 148 lugares, que chegou a Maputo em dezembro.
Os prejuízos da LAM dispararam para 3.977 milhões de meticais (53,7 milhões de euros) em 2023, obrigando o Estado a injetar mil milhões de meticais (13,5 milhões de euros) e a emitir uma carta conforto em 2024, conforme avançou a Lusa em 07 de agosto.
A LAM, que não tem divulgado contas publicamente, tinha registado prejuízos de 448,6 milhões de meticais (seis milhões de euros) em 2022, que desta forma dispararam no ano seguinte, conforme consta das demonstrações financeiras mais recentes disponíveis.



