Mísseis, drones e bases militares: Estes 10 países já sentem as ondas de choque da guerra entre EUA e Irão

A ofensiva lançada no sábado pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica do Irão desencadeou, em apenas 48 horas, uma escalada militar que já atinge pelo menos dez países do Médio Oriente e do Golfo.

Pedro Gonçalves
Março 2, 2026
18:38

A ofensiva lançada no sábado pelos Estados Unidos e por Israel contra a República Islâmica do Irão desencadeou, em apenas 48 horas, uma escalada militar que já atinge pelo menos dez países do Médio Oriente e do Golfo. O que começou com bombardeamentos massivos em território iraniano transformou-se rapidamente numa troca de mísseis e drones que se espalhou da costa do Mediterrâneo ao estreito de Ormuz, chegando mesmo a um Estado-membro da União Europeia.

O Irão respondeu aos ataques com o lançamento de centenas de mísseis e drones não apenas contra Israel, mas também contra vários países árabes do Golfo, aliados de Washington e que acolhem bases militares norte-americanas nos seus territórios. Um dos projéteis atingiu Chipre, ampliando o alcance geográfico do conflito.



Líbano entra no conflito com ação do Hezbollah
No Líbano, o Hezbollah, milícia xiita aliada de Teerão, lançou três projéteis contra o norte de Israel na madrugada de segunda-feira, sem causar vítimas. Israel respondeu de imediato com bombardeamentos no sul do Líbano e em Beirute, provocando pelo menos 31 mortos.

O ministro da Defesa israelita, Israel Katz, identificou o líder do Hezbollah, Naim Qassem, como “alvo” a eliminar, escrevendo na rede social X: “Quem seguir o caminho de [Ali] Jameneí encontrará em breve o mesmo destino nas profundezas do inferno”.

O Governo libanês anunciou a proibição total da atividade militar do Hezbollah após o ataque. O Presidente Joseph Aoun criticou tanto Israel como o Hezbollah por envolverem o país em conflitos com os quais “não tem nada que ver”. Apesar do cessar-fogo assinado em novembro de 2024 entre Israel e o Líbano, o exército israelita tem mantido bombardeamentos quase diários.

Chipre atingido e reunião europeia adiada
A onda de choque chegou a Chipre, que exerce atualmente a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. Um drone iraniano atingiu a base britânica de Akrotiri durante a madrugada, levando ao adiamento de uma reunião informal de ministros da UE prevista para segunda-feira.

Horas depois, o aeroporto internacional de Pafos foi evacuado devido à suspeita de aproximação de outro drone.

O Presidente cipriota, Nikos Christodulides, afirmou num discurso televisivo: “Quero ser claro: a nossa pátria não participa de nenhuma forma nem tem intenção de participar em qualquer operação militar”. Já o porta-voz do Governo, Konstantinos Letymbiotis, manifestou “desagrado” pela ausência de esclarecimentos do Reino Unido sobre a utilização das bases britânicas na ilha.

A Grécia anunciou o envio de duas fragatas e dois aviões de combate para proteger Chipre de um eventual ataque.

Kuwait e versões contraditórias sobre aviões abatidos
No Kuwait, três aviões de combate norte-americanos F-15E despenharam-se na madrugada de segunda-feira. Segundo o Ministério da Defesa kuwaitiano, todos os tripulantes sobreviveram. O Pentágono indicou que o acidente terá sido provocado por fogo amigo, com as aeronaves abatidas por engano pelas defesas aéreas do Kuwait.

Por seu lado, a defesa aérea iraniana afirmou ter abatido um F-15 dos Estados Unidos, acrescentando que a aeronave caiu em território kuwaitiano. O exército iraniano reivindicou também ataques com mísseis de cruzeiro contra a base norte-americana Ali Al-Salem e contra vários navios no oceano Índico.

Arábia Saudita e infraestruturas energéticas na mira
A Arábia Saudita declarou ter intercetado cinco drones junto à base aérea Príncipe Sultan. Nos últimos dias, o país — aliado de Washington — tem sido alvo de ataques iranianos.

A refinaria da Saudi Aramco em Ras Tanura foi atingida por destroços de dois drones intercetados, provocando “um pequeno incêndio” sem vítimas, mas obrigando à suspensão temporária da atividade, segundo uma fonte citada pela Reuters.

Torbjorn Soltvedt, analista da Verisk Maplecroft, afirmou que o ataque “marca uma escalada significativa”, acrescentando que poderá aproximar a Arábia Saudita e outros Estados do Golfo das operações militares conduzidas por EUA e Israel.

Qatar suspende futebol e promete resposta
No Qatar, as autoridades anunciaram a interceção de vários drones iranianos dirigidos a instalações civis, incluindo o aeroporto internacional. O Ministério da Defesa confirmou que um dos aparelhos atingiu uma instalação da QatarEnergy em Ras Laffan.

No domingo, Doha denunciara o lançamento de 65 mísseis e 12 drones por parte do Irão, provocando 16 feridos. O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros declarou que os ataques “não ficarão sem resposta”.

A Associação de Futebol do Qatar suspendeu indefinidamente os torneios nacionais, deixando incerta a realização do jogo entre Espanha e Argentina previsto para 27 de março, no Estádio Lusail.

Bahrein, Emirados e Omã também sob ataque
No Bahrein, dois projéteis atingiram um navio britânico no porto, segundo a Organização Marítima do Reino Unido. O incêndio subsequente foi extinto e a tripulação evacuada. A embaixada dos EUA anunciou o encerramento indefinido das suas instalações por risco de atentados.

Nos Emirados Árabes Unidos, o Ministério da Defesa informou que o Irão lançou 137 mísseis e 209 drones no domingo, causando três mortos e 58 feridos. Um míssil atingiu ainda um hotel de luxo, sem vítimas.

Em Omã, dois drones iranianos atacaram o porto comercial de Duqm, causando um ferido. Um navio petroleiro no estreito de Ormuz foi também alvo de ataque, embora sem atribuição oficial de responsabilidade.

Iraque e Jordânia sob pressão
No Iraque, a milícia pró-iraniana Saraya Awliya Al-Dam reivindicou ataques com drones contra bases militares norte-americanas em Bagdade e Erbil, afirmando tratar-se de retaliação pela morte do ayatolá Ali Jameneí nos bombardeamentos.

A Jordânia intercetou 13 mísseis balísticos e 36 drones no sábado, todos “neutralizados com sucesso”, segundo fonte militar citada pela agência Petra. Apesar de danos materiais, não houve vítimas. Explosões inéditas foram registadas no norte do país e fragmentos de projéteis caíram em várias zonas.

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