Wall Street resiste ao medo económico do ataque israelo-norte-americano ao Irão

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem rumo, não só a resistir à tendência de queda nas outras praças bolsistas, perante as consequências económicas dos ataques israelo-norte-americanos ao Irão, como com valorizações na energia e Defesa.

Executive Digest com Lusa
Março 2, 2026
23:05

A bolsa nova-iorquina encerrou hoje sem rumo, não só a resistir à tendência de queda nas outras praças bolsistas, perante as consequências económicas dos ataques israelo-norte-americanos ao Irão, como com valorizações na energia e Defesa.


Os resultados da sessão indicam que o índice seletivo Dow Jones Industrial Average cedeu 0,15%, ao contrário do tecnológico Nasdaq, que ganhou 0,36%, e do alargado S&P500, que avançou 0,04%.


Como apontou Angelo Kourkafas, analista da Edward Jones, “nos últimos 15 anos, os investidores foram condicionados para não reagirem de forma excessiva aos grandes desenvolvimentos geopolíticos”.


Depois de ter aberto em baixa de um por cento, Wall Street recuperou, sem manifestar inquietação com a subida dos preços da energia.


“A economia tem agora mais flexibilidade” em relação aos outros países, porque os EUA “passaram a ser um exportador líquido de produtos petrolíferos”, destacou Kourkafas.


Sinal disto mesmo, a Chevron valorizou 1,47% e a ExxonMobil 1,11%.


“Claro que existem muitas incertezas, muito vai depender da duração” da guerra e até que ponto o Estreito de Ormuz, ponto central nas exportações de hidrocarbonetos do Médio Oriente, vai continuar paralisado” acrescentou.


Na sua opinião, “a hipótese central dos investidores” é uma baixa dos preços do petróleo no curto prazo, passadas as primeiras inquietações.


Por seu lado, Jose Torres, da Interactive Brokers, destacou que “o calendário económico da manhã favoreceu a recuperação” das cotações.


Em particular, os investidores acolheram uma atividade industrial em fevereiro em recuo menos forte do que esperado, como evidenciado pelo índice ISM.


A expectativa de um agravamento da inflação refletiu-se na subida dos rendimentos obrigacionistas.


“Há claramente a hipótese de uma subida da inflação e algumas inquietações quanto ao que isso significa para a trajetória da Reserva Federal”, estimou Angelo Kourkafas, em alusão à interrupção da tendência de baixa da taxa de juro.


Entre as cotadas, o setor da Defesa foi estimulado com a perspetiva de novos contratos.


Os EUA têm o maior orçamento militar do mundo, no montante aproximado de 1,5 biliões (milhão de milhões) de dólares.


“E uma parte importante das despesas europeias em matéria de defesa está a ser finalmente feita nas empresas norte-americanas do setor”, destacou Tony Bancroft, da Gabelli Funds.


No final do dia, a Lockheed Martin avançou 3,37%, a RTX 4,71% e a Northrop Grumman 6,02%.


O grupo Palantir seguiu o mesmo movimento, com uma valorização de 5,81%. Esta empresa assinou importantes contratos com o governo de Donald Trump, em particular no domínio militar e dos serviços de informações, que representaram mais de 40% do seu volume de negócios, no último trimestre de 2025.


“Os investidores estão a apostar em um papel acrescido” da Palantir na Defesa, destacou David Morrison, de Trade Nation.


 

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