Em entrevista à Executive Digest, a equipa da Unidade de Negócio de Produtividade & Segurança da Portugal, explica como é que as empresas podem tirar o máximo partido dos investimentos realizados na transformação digital e quais os principais desafios e soluções à disposição das organizações.
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| Manuel Faria, Gestor de Produto da Unidade de Negócio de Produtividade & Colaboração da Microsoft Portugal | Paula Fernandes, Diretora da Unidade de Negócio de Produtividade & Colaboração da Microsoft Portugal |
Em 2019, mais de 50% do PIB mundial já era digital, com as empresas a gerarem receitas a partir de aplicações e da criação de soluções proprietárias. Com a pandemia, mais do que uma fonte de inovação, a transformação digital provou ser um requisito incontornável para garantir a continuidade e resiliência das operações, transversal a todas as indústrias.
O “salto” tecnológico realizado nos últimos meses, que se entende correspondente a 2 anos de transformação como referiu Satya Nadella, não é um fim em si mesmo. É crucial garantir que o mesmo é acompanhado pela requalificação tecnológica das pessoas, para que saibam não só como utilizar a tecnologia, como possam adquirir novas competências digitais. Porque as oportunidades estão aí.
A cloud aumentou a disponibilidade de dados e consequentes possibilidades de análises e recolha de insights. Estes devem ser utilizados para impulsionar melhores e mais profundas interações com os clientes, no desenho de soluções e experiências mais personalizadas e com um impacto extensível à possibilidade de otimizar as operações e reduzir custos.
Por outro lado, as soluções de colaboração eliminam fronteiras na interação entre colaboradores, organizações e clientes. A capacitação e autonomia dá flexibilidade às equipas para trabalharem da forma que desejam, são desbloqueadores da colaboração e criam as condições para reimaginar o futuro.
Como é que as empresas devem tirar o máximo valor da adoção de tecnologias digitais e reforçar o crescimento?
A aceleração da transformação digital tem de ser acompanhada por uma requalificação tecnológica, para que se possa tirar o máximo partido dos investimentos realizados. A falta de skills é apontada como uma das maiores limitações na transformação das organizações e as organizações não se conseguirão transformar se as pessoas não o fizerem.
Em Junho, num compromisso conjunto com o Linkedin e GitHub anunciámos uma iniciativa de skills global com o objetivo de trazer competências digitais a 25 milhões de pessoas em todo o mundo, durante este ano. Existem também inúmeras certificações cloud disponíveis.
Por último, também não posso deixar de referir o impacto da adoção tecnológica na cultura organizacional. As lideranças devem encorajar o foco no cliente, uma mentalidade colaborativa e promover autonomia na forma as pessoas como trabalham e experimentam formas alternativas de resolver problemas. Organizações flexíveis na gestão e adaptação à mudança não só conseguem reter talento, como impulsionam a inovação e entregam resultados superiores.
Mais do que nunca, equilibrar a dicotomia entre a redução de custos e o bem-estar dos colaboradores é uma prioridade para as organizações. Qual é o papel da tecnologia neste sentido?
Na resposta a esta questão, recupero as conclusões do relatório da Microsoft “Staying Competitive in a Hybrid World” , publicado em outubro deste ano e que resulta de uma parceria com a Boston Consulting Group e a KRC Research. Este estudo agrupou as respostas de mais de 9000 colaboradores e gestores de 15 países europeus, incluindo Portugal. O objetivo foi perceber os efeitos da pandemia na forma de trabalhar das organizações e na sua capacidade de inovação. Deste estudo retiram-se conclusões importantes para o futuro, nomeadamente: i) o trabalho remoto proporcionou ganhos de tempo e de produtividade e redução de custos, mas por outro lado perdeu-se na cultura e na coesão das equipas; ii) as culturas mais inovadoras tiveram mais dos benefícios e menos dos desafios do trabalho remoto ou híbrido e iii) as organizações que mantêm a cultura inovadora apostam na capacitação dos colaboradores, protegem o seu foco e suportam a gestão intermédia.
Este estudo diz-nos claramente que o trabalho híbrido veio para ficar – em Portugal, a percentagem de empresas que reportam a existência de uma política formal de trabalho flexível é de 86%, em comparação com 15% registadas em 2019. Os principais benefícios identificados na abordagem híbrida ao trabalho são a produtividade, a retenção de talento, a sustentabilidade e a redução de custos.
É possível aceder aos resultados completos deste estudo em aka.ms/rework ou através deste QR Code.

Acompanhando esta maior flexibilidade e possibilidade de trabalhar em qualquer lugar, as culturas empresariais mais inovadoras estão a adaptar-se para se tornarem mais empáticas, protegendo e promovendo o bem-estar das suas equipas.
Neste sentido, a Microsoft tem apostado cada vez mais no bem-estar individual, implementando nas suas soluções capacidades que ajudam as organizações a proteger o foco das suas equipas. Exemplo são as novas funcionalidades do Microsoft Teams, desenhadas a pensar em experiências mais humanas e mais imersivas, com o objetivo de diminuir a fadiga, como o “Together Mode”, que permite colocar os participantes de uma videochamada no Teams no mesmo espaço virtual, seja um auditório, sala de reuniões ou café. Recentemente, foram também anunciadas funcionalidades de bem-estar, como sejam meditações guiadas, horários de pausa e insights de produtividade.
Mais informações disponíveis em https://Aka.ms/ProductivityAndWellbeing.

As empresas com recursos digitais mais avançados mostraram-se mais resilientes durante a pandemia. Quais as soluções que a Microsoft colocou ao serviço dos seus clientes?
Destaco as seguintes iniciativas: i) disponibilização de trials de 6 meses de Microsoft Teams e Office e respetivo suporte alargado para garantir que organizações e a comunidade escolar se mantinham em atividade, estando remotas; ii) comunicação e recursos de cibersegurança, para ajudar os utilizadores a protegerem-se e às suas organizações; iii) criação da plataforma “Portugal Não Pára”, projeto solidário que agregou ofertas de um conjunto de organizações destinadas a ajudar as PMEs a manterem-se ativas; iv) o nosso ecossistema de parceiros, que continua a abraçar o desafio de criar aplicações, integradas em Microsoft Teams para ajudar as pessoas a gerirem melhor o seu tempo e trabalho, numa única solução. Destaca-se a Workplace Hub, aplicação de negócio no Microsoft Teams mais utilizada em Portugal e v) desenvolvimento da aplicação Return to Workplace, para gerir em segurança os momentos de regresso aos escritórios.
Existiu e continua a existir uma partilha contínua de recursos para o trabalho e ensino remoto, como distintas séries de webinars locais, respondendo aos diferentes níveis de utilização e com conteúdo disponível on demand.
Para facilitar a busca destes conteúdos, criámos uma página em português – aka.ms/Trabalho-Remoto – com o intuito de ajudar todos os utilizadores do Microsoft Teams a fazerem uma gestão mais equilibrada e eficiente do seu dia de trabalho, com dicas de utilização e bem-estar para reuniões mais produtivas, momentos colaborativos mais integrados, maior proximidade com a equipa/organização e uma melhor gestão e planificação de momentos profissionais e de pausa, bem como formação em cibersegurança.
Informação e iniciativas adicionais estão disponíveis em:
https://news.microsoft.com/covid-19-response/
Num mundo em que pessoas, empresas e negócios se ligam de forma cada vez mais digital, é fundamental garantir a segurança da informação e das infraestruturas. Qual o papel da cibersegurança na Microsoft? Como é que a Microsoft protege os seus clientes?
Com a rápida alteração na forma de trabalhar das organizações, o acesso a recursos corporativos não é realizado apenas no escritório e nos dispositivos corporativos. Por outro lado, o aumento desta flexibilidade e o aumento exponencial da criação de dados atraem cada vez mais atividades de cibercrime. Dito isto, as abordagens tradicionais de segurança, baseadas em perímetro simplesmente já não conseguem acompanhar a sofisticação das ameaças atuais.
Na resposta às necessidades atuais, a Microsoft desenvolve as suas soluções com base numa abordagem Zero Trust: partindo do pressuposto de que todos as superfícies do sistema podem ser violados, estendendo a proteção a todos os elementos do património digital – identidade, dispositivos, dados, aplicações, infraestrutura e redes. Depois, é preciso correlacionar a informação de todos estes elementos e ter sistemas inteligentes capazes de identificar ameaças em tempo real e agir com a rapidez necessária. Isto significa que quanto mais integradas estiverem as várias soluções de cibersegurança, melhor. Esta é a razão pela qual a Microsoft se assume atualmente como líder na área da Cibersegurança, que se evidencia ao aparecer no quadrante líder da Gartner em 5 tipos de solução de Cibersegurança em 2019 – Access Management, Cloud Access Security Brokers, Enterprise Information Archiving, Endpoint Protection Platforms, Unified Endpoint Management – com a vantagem adicional de integrar nativamente todas estas plataformas. Por outro lado, o poder da cloud Microsoft permite a inclusão de inteligência artifical para combater de uma forma mais eficaz ataques sofisticados e ainda não conhecidos.
Por último, a conformidade e a privacidade dos dados são outros dos princípios chave da visão da Microsoft em todos os seus produtos e serviços cloud. Todas as soluções são desenhadas sob esta premissa fundamental: o compromisso com a privacidade e com a transparência sobre a recolha, utilização e distribuição dos dados dos clientes. O cliente é que gere os seus dados e decide como utilizá-los. Ao nível de compliance, a cloud da Microsoft está em conformidade com mais de 90 regulamentações internacionais, regionais e de indústria, incluindo HIPAA, GDPR, FedRAMP, SOC, FERPA. Ainda neste âmbito, a referir que a nossa plataforma cloud Microsoft Azure foi recentemente distiguida pelo Gabinete Nacional de Segurança (GNS) com a primeira certificação de segurança Cloud de grau NACIONAL RESERVADO a ser realizada em Portugal.

A Inteligência Artificial, os recursos computacionais ou a Cloud (Microsoft Azure já é a plataforma cloud líder em Portugal) são pilares fundamentais para o futuro. O que a Microsoft está a fazer nestas áreas?
Temos ótimos exemplos nacionais de pioneirismo nesta área.
O incremento de utilização doméstica de Internet nos últimos meses trouxe a necessidade de implementar novos métodos ao serviço da melhoria da qualidade de serviço. A NOS fez parte de um grupo restrito que pilotou a tecnologia tecnologia Azure Metrics Advisor, um modelo de Inteligencia artificial capaz de encontrar anomalias em séries temporais de dados, antes do seu lançamento oficial. A NOS espera melhorar a qualidade de serviço aos clientes ao antecipar problemas e optimizar a sua equipa operacional, recorrendo à escala que a IA lhe consegue dar.
Quando em 2012 lançámos em preview a tecnologia de recomendações, a MEO foi pioneira na sua adoção para o seu Videoclube e catálogo de Gravações Automáticas. Desde então, continua investida em trazer a melhor experiencia possível aos seus utilizadores, tirando partido das últimas evoluções em IA no Azure como o Machine Learning Service.
Na investigação destaca-se a Fundação Campalimaud e o trabalho do Dr. Pedro Gouveia, investigador e cirurgião da unidade da Mama. No início desde ano apresentou no evento “Building the Future” a primeira cirurgia no mundo realizada com recurso a Realidade Aumentada como técnica de marcação de tumores mamários em cirurgias conservadoras de remoção. Esta técnica de marcação é completamente revolucionária pois oferece uma alternativa não invasiva para o mesmo propósito. A tecnica que desenvolveu – 3D Fusion- permitiu criar um modelo que consegue fundir exames médicos com um Surface Scan do paciente, conseguindo calcular com isso a posição exata do tumor. Utiliza o capacete holográfico da Microsoft (HoloLens), que recorrendo a técnicas avançadas de IA consegue fazer o mapeamento em tempo real de uma sala e fixar objetos virtuais nesse espaço, permitindo ao cirurgião andar livremente pela sala e visualizar o paciente e o tumor com precisão e a partir de qualquer ângulo.
Recursos disponíveis:
Link Azure Metrics Advisor: https://azure.microsoft.com/en-us/services/cognitive-services/metrics-advisor/
Link apresentação 3D Fusion: https://www.youtube.com/watch?v=r6SwkuE2BhQ
















