O presidente da Câmara Municipal de Oeiras, Isaltino Morais, criticou a autarquia da Amadora por permitir que urbanizações se aproximem e, em alguns casos, avancem para território de Oeiras na zona da Serra de Carnaxide.
A denúncia foi feita nas redes sociais pelo autarca, que acusou o município vizinho de não respeitar os limites administrativos e de permitir intervenções urbanísticas que ameaçam áreas naturais que Oeiras pretende preservar, relata o jornal ‘Observador’.
Num vídeo publicado no ‘Instagram’ na passada sexta-feira, Isaltino Morais surge junto a uma urbanização construída até ao limite entre os dois concelhos. O autarca afirma que existem “portões clandestinos” abertos a partir de logradouros de habitações na Amadora que permitem acesso direto ao território de Oeiras, alegadamente para usufruir da Serra de Carnaxide.
Segundo o autarca, esses acessos estariam a provocar danos na zona natural localizada no lado de Oeiras. “Ao longo do tempo alertámos por diversas vezes a Câmara da Amadora para esta situação, mas até ao momento não obtivemos qualquer resposta”, escreveu Isaltino Morais na mensagem que acompanha o vídeo, acrescentando que a autarquia não pode permitir que a situação continue.
No mesmo vídeo, o presidente da Câmara de Oeiras refere ainda que existem casos em que a construção terá ultrapassado os limites administrativos e avançado para território do concelho que lidera. Para Isaltino Morais, a diferença entre os dois lados da serra é evidente. “Há quem fale muito na proteção do ambiente e, neste caso concreto da Serra de Carnaxide, basta olhar em volta para perceber a diferença. Do lado da Amadora vê-se sobretudo construção; do lado de Oeiras, a serra mantém-se preservada e em estado natural”, afirmou.
Como resposta à situação, a autarquia de Oeiras decidiu avançar com uma intervenção no terreno. De acordo com o ‘Observador’, o município está a plantar uma linha arbórea que marcará de forma clara a divisão entre os dois concelhos e ajudará a proteger a área natural da Serra de Carnaxide.
No vídeo partilhado nas redes sociais, Isaltino Morais aparece acompanhado por uma equipa de jardineiros que iniciou os trabalhos. O autarca chegou a brincar com a situação, dizendo que alguns moradores da urbanização poderiam pensar que se tratava de um “exército”, garantindo depois que se tratava apenas de uma equipa municipal a trabalhar na criação do que descreveu como um “muro de árvores”.
Isaltino Morais afirma ainda que a Câmara de Oeiras tenta há mais de três anos chegar a um entendimento com a autarquia da Amadora sobre esta situação, sem sucesso. Para o autarca, o caso demonstra também dificuldades de comunicação entre municípios vizinhos na gestão de limites administrativos e na proteção de áreas naturais.














