A tecnológica Meta Platforms, Inc. fechou um acordo multibilionário com a fabricante de semicondutores Advanced Micro Devices, Inc. (AMD) para a aquisição de chips personalizados destinados ao desenvolvimento da sua infraestrutura de inteligência artificial, num negócio que poderá também resultar na aquisição de cerca de 10% do capital da rival da NVIDIA Corporation. O acordo surge num momento em que as grandes tecnológicas procuram diversificar fornecedores de hardware e reduzir dependência de um único gigante do setor de semicondutores.
A informação foi divulgada pela imprensa financeira internacional, sendo que a fonte é o Financial Times, que detalha que o acordo envolve a compra de chips com um consumo energético total equivalente a 6 gigawatts — energia suficiente para abastecer cerca de 5 milhões de famílias norte-americanas durante um ano. A Meta tem vindo a acelerar o investimento em inteligência artificial, numa corrida global pela liderança tecnológica, tendo já anunciado que pretende quase duplicar o investimento em infraestruturas de IA neste ano, podendo atingir até 135 mil milhões de dólares. O objetivo é sustentar o treino e execução de modelos avançados de linguagem e visão computacional.
O acordo inclui ainda um mecanismo financeiro inovador. A AMD emitiu um “warrant” baseado em desempenho, permitindo à Meta adquirir até 160 milhões de ações da empresa em várias fases, a um preço simbólico de 0,01 dólares por ação, conforme forem sendo encomendados novos processadores. A presidente executiva da AMD, Lisa Su, explicou que a estrutura financeira garante alinhamento estratégico: “Em certo sentido, a Meta está a fazer uma grande aposta na AMD, e nós estamos também a dar à Meta a oportunidade de participar caso os acionistas da AMD tenham bom desempenho. Do ponto de vista financeiro, cada gigawatt de capacidade computacional vale dezenas de milhar de milhões de dólares”, afirmou Su. O warrant será progressivamente exercido até 2031, com a primeira tranche de ações a ser atribuída no segundo semestre deste ano, quando for entregue o primeiro gigawatt de chips.
Do lado da Meta, o diretor de infraestruturas, Santosh Janardhan, defendeu que a empresa não pretende depender de uma única solução tecnológica: “Não acreditamos que uma única solução de silício funcione para todas as nossas cargas de trabalho. Há espaço para a Nvidia, há espaço para a AMD e também para o nosso próprio hardware personalizado. Precisamos das três soluções”, declarou. O diretor executivo da Meta, Mark Zuckerberg, afirmou igualmente esperar que a AMD se torne “um parceiro importante durante muitos anos”. A empresa tem vindo a expandir a sua capacidade de centros de dados, num momento em que o setor enfrenta desafios de financiamento e sustentabilidade energética.
O movimento representa também uma tendência crescente na indústria tecnológica, conhecida como transações “circulares”, em que contratos de fornecimento são combinados com participações acionistas estratégicas. Este modelo já havia sido testado pela AMD num acordo semelhante com a OpenAI, em outubro do ano anterior, quando a empresa de IA recebeu também a possibilidade de adquirir cerca de 10% do capital da fabricante de chips ao longo do tempo. A tendência ocorre numa altura em que os gigantes tecnológicos enfrentam pressões para financiar as suas infraestruturas com recurso a mercados obrigacionistas e aumento de capital, tendo a Meta realizado uma emissão obrigacionista recorde de 30 mil milhões de dólares em outubro, a maior da sua história.














