‘Long Covid’: Estes cinco sintomas podem determinar se corre maior risco de doença prolongada

Investigadores descobriram que níveis baixos de certos anticorpos eram mais comuns naqueles que desenvolveram ‘long covid’ do que em pacientes que recuperaram rapidamente.

Simone Silva

Os médicos descobriram uma “assinatura de anticorpos” que pode ajudar a identificar pacientes com maior risco de desenvolver doença prolongada, ou ‘long covid’, uma condição em que os sintomas podem persistir durante muitos meses, avança o ‘The Guardian’.

Investigadores do hospital universitário de Zurique analisaram o sangue de pacientes infetados e descobriram que níveis baixos de certos anticorpos eram mais comuns naqueles que desenvolveram ‘long covid’ do que em pacientes que recuperaram rapidamente.



Quando combinada a idade do paciente com o facto de ter ou não asma, a assinatura do anticorpo permitiu aos médicos prever se as pessoas tinham um risco moderado, alto ou muito alto de desenvolver doenças de longo prazo.

Para além da idade avançada e do histórico de asma, os investigadores identificaram também cinco sintomas durante a infeção primária, que podem determinar o risco de ter ‘long covid’: febre, fadiga, tosse, falta de ar e problemas gastrointestinais.

Segundo os autores do estudo, todos estes indicadores podem ser usados ​​para prever o risco de desenvolver sequelas pós-infeção (que são muito variadas, desde fadiga a falta de ar a problemas cognitivos), embora reconheçam que são necessárias mais pesquisas.

A questão é se essas novas informações são realmente reveladoras e podem ser usadas para entender o ‘long covid’, procurar soluções e evitá-lo.

“No geral, achamos que as nossas descobertas e a identificação de uma assinatura de imunoglobulina vão ajudar na identificação precoce de pacientes com maior risco de desenvolver ‘long covid’, o que, por sua vez, vai facilitar a pesquisa, compreensão e, finalmente, tratamentos direcionados”, disse Onur Boyman, professor de imunologia e autor do estudo.

A equipa estudou 175 pessoas que testaram positivo para a Covid-19 e 40 voluntários saudáveis ​​que atuaram como grupo de controlo. Para ver como os seus sintomas mudaram ao longo do tempo, os médicos acompanharam 134 pacientes com Covid-19 até um ano após a infeção inicial.

Entre os casos acompanhados, 40% apresentavam taquicardia, distúrbios intestinais e termorregulação. Essa sintomatologia sugere que podem ter problemas de base imunológica, algo que os investigadores estão a tentar medir, precisamente, com estudos sobre anticorpos.

Outra questão importante nos afetados (calculam que 10% a 20%) pode ter resquícios do vírus confinados a reservatórios, principalmente no sistema digestivo. No entanto, há outros 40% ou 50% cuja causa não é clara.

Quando a doença ataca, os anticorpos IgM aumentam rapidamente, enquanto os anticorpos IgG aumentam mais tarde e oferecem proteção a longo prazo. Os exames de sangue dos participantes mostraram que aqueles que desenvolveram ‘long covid  tendiam a ter baixos níveis de IgM e do anticorpo IgG3.

O teste não pode prever o risco de uma pessoa ter ‘long covid’ antes de ser infetada, porque são necessários detalhes dos seus sintomas, mas Carlo Cervia, o primeiro autor do estudo, disse que pessoas com asma e baixos níveis de IgM e IgG3 podem assumir que têm maior risco.

“Espera-se que isto melhore o atendimento a pacientes com doença prolongada, além de motivar grupos de alto risco, como pacientes asmáticos, a serem vacinados e, assim, prevenir o ‘long covid’”, disse Cervia. A pesquisa foi publicada na Nature Communications.

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