Os médicos descobriram uma “assinatura de anticorpos” que pode ajudar a identificar pacientes com maior risco de desenvolver doença prolongada, ou ‘long covid’, uma condição em que os sintomas podem persistir durante muitos meses, avança o ‘The Guardian’.
Investigadores do hospital universitário de Zurique analisaram o sangue de pacientes infetados e descobriram que níveis baixos de certos anticorpos eram mais comuns naqueles que desenvolveram ‘long covid’ do que em pacientes que recuperaram rapidamente.
Quando combinada a idade do paciente com o facto de ter ou não asma, a assinatura do anticorpo permitiu aos médicos prever se as pessoas tinham um risco moderado, alto ou muito alto de desenvolver doenças de longo prazo.
Para além da idade avançada e do histórico de asma, os investigadores identificaram também cinco sintomas durante a infeção primária, que podem determinar o risco de ter ‘long covid’: febre, fadiga, tosse, falta de ar e problemas gastrointestinais.
Segundo os autores do estudo, todos estes indicadores podem ser usados para prever o risco de desenvolver sequelas pós-infeção (que são muito variadas, desde fadiga a falta de ar a problemas cognitivos), embora reconheçam que são necessárias mais pesquisas.
A questão é se essas novas informações são realmente reveladoras e podem ser usadas para entender o ‘long covid’, procurar soluções e evitá-lo.
“No geral, achamos que as nossas descobertas e a identificação de uma assinatura de imunoglobulina vão ajudar na identificação precoce de pacientes com maior risco de desenvolver ‘long covid’, o que, por sua vez, vai facilitar a pesquisa, compreensão e, finalmente, tratamentos direcionados”, disse Onur Boyman, professor de imunologia e autor do estudo.
A equipa estudou 175 pessoas que testaram positivo para a Covid-19 e 40 voluntários saudáveis que atuaram como grupo de controlo. Para ver como os seus sintomas mudaram ao longo do tempo, os médicos acompanharam 134 pacientes com Covid-19 até um ano após a infeção inicial.
Entre os casos acompanhados, 40% apresentavam taquicardia, distúrbios intestinais e termorregulação. Essa sintomatologia sugere que podem ter problemas de base imunológica, algo que os investigadores estão a tentar medir, precisamente, com estudos sobre anticorpos.
Outra questão importante nos afetados (calculam que 10% a 20%) pode ter resquícios do vírus confinados a reservatórios, principalmente no sistema digestivo. No entanto, há outros 40% ou 50% cuja causa não é clara.
Quando a doença ataca, os anticorpos IgM aumentam rapidamente, enquanto os anticorpos IgG aumentam mais tarde e oferecem proteção a longo prazo. Os exames de sangue dos participantes mostraram que aqueles que desenvolveram ‘long covid tendiam a ter baixos níveis de IgM e do anticorpo IgG3.
O teste não pode prever o risco de uma pessoa ter ‘long covid’ antes de ser infetada, porque são necessários detalhes dos seus sintomas, mas Carlo Cervia, o primeiro autor do estudo, disse que pessoas com asma e baixos níveis de IgM e IgG3 podem assumir que têm maior risco.
“Espera-se que isto melhore o atendimento a pacientes com doença prolongada, além de motivar grupos de alto risco, como pacientes asmáticos, a serem vacinados e, assim, prevenir o ‘long covid’”, disse Cervia. A pesquisa foi publicada na Nature Communications.



