Livro de ex-diretora do Facebook sobre abuso de poder que Meta quis calar é lançado hoje

O livro “Gente Pouco Recomendável”, da ex-diretora do Facebook Sarah Wynn-Williams, que revela o funcionamento interno da empresa, chega hoje às livrarias, envolto em polémica, depois de a Meta ter conseguido uma decisão arbitral para travar a sua promoção.

Executive Digest com Lusa
Janeiro 21, 2026
9:10

O livro “Gente Pouco Recomendável”, da ex-diretora do Facebook Sarah Wynn-Williams, que revela o funcionamento interno da empresa, chega hoje às livrarias, envolto em polémica, depois de a Meta ter conseguido uma decisão arbitral para travar a sua promoção.

“Gente pouco recomendável – Uma história real sobre poder, ganância e idealismo perdido” é um relato, na primeira pessoa, dos sete anos em que Sarah Wynn-Williams trabalhou no Facebook – a empresa que gere aquela rede social e que atualmente se chama Meta -, uma das maiores empresas tecnológicas do mundo, na qual alcançou o cargo de diretora de Políticas Públicas Globais.

Editado em Portugal pela Presença, o livro é “um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do setor digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas”, revela a editora.

Sarah Wynn-Williams descreve uma empresa obcecada pelo crescimento, marcada por ambição desmedida, cultura interna tóxica e decisões tomadas sem escrutínio, apesar do impacto global da plataforma.

“Este é o livro que Mark Zuckerberg tentou silenciar, e muito provavelmente, com boas razões para isso. Com uma voz crítica, franca, mas ao mesmo tempo deliciosamente sarcástica, este livro é um retrato implacável sobre a corrupção moral e política do setor digital, revelando a leviandade com que são tomadas as grandes decisões que condicionam a vida de milhares de milhões de pessoas”, descreve a sinopse.

A Meta recorreu à American Arbitration Association (um centro de arbitragem privado) para impedir a autora de promover o livro, alegando que a empresa sofreria “danos imediatos e irreparáveis”.

A arbitragem emitiu então uma decisão provisória, que determina que a autora suspenda a promoção do livro, mas não impôs qualquer restrição à editora (Pan Macmillan), que declarou defender a liberdade de expressão e o direito de a autora contar a sua história, pelo que o livro pode continuar a ser vendido e distribuído pelas livrarias.

Contudo, a autora está impedida de dar entrevistas, fazer sessões de lançamento, publicitar o livro e outras ações promocionais, enquanto vigorar a decisão provisória.

“Gente pouco recomendável” é descrito pelo The New York Times como “um retrato feio e detalhado de uma das empresas mais poderosas do mundo”.

A obra descreve diretamente episódios envolvendo o fundador e diretor executivo do Facebook, Mark Zuckerberg, assim como a ex-diretora operacional Sheryl Sandberg e o responsável por políticas globais Joel Kaplan, retratados como líderes obcecados por estatuto e crescimento, avessos à responsabilização.

No relato, Sarah Wynn-Williams descreve desde situações de assédio e abuso de poder no interior da empresa até decisões políticas controversas, incluindo o papel do Facebook na disseminação de desinformação durante as eleições norte-americanas de 2016, a propagação de discurso de ódio em Myanmar e contactos com regimes autoritários, sem esquecer projetos destinados a permitir a entrada da plataforma no mercado chinês.

Antiga diplomata da Nova Zelândia, com passagens pela ONU e pela embaixada do seu país em Washington, a autora afirma ter entrado no Facebook movida por idealismo, acreditando no potencial da rede social como ferramenta de mudança política e social.

Esse idealismo – escreve – foi-se perdendo à medida que a empresa se consolidava como um dos centros de poder mais influentes do século XXI.

Atualmente, Sarah Wynn-Williams dedica-se a temas ligados à tecnologia e à inteligência artificial.

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