O líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, defendeu a necessidade de construir um exército moderno e altamente preparado para enfrentar qualquer guerra, durante uma visita à Academia Militar Kang Kon, anunciou esta quarta-feira a agência estatal KCNA. A deslocação ocorre num contexto de envolvimento militar crescente de Pyongyang no conflito russo-ucraniano, depois do envio de milhares de soldados norte-coreanos para apoiar a Rússia.
Nos últimos dias, Kim também visitou a Universidade de Política Kim Il-sung, uma prestigiada instituição de formação de quadros do regime, onde sublinhou a importância da lealdade absoluta ao exército e do espírito de sacrifício. O Serviço Nacional de Inteligência da Coreia do Sul (NIS) tem vindo a alertar que estas visitas a unidades militares e centros de treino podem indicar que Pyongyang se prepara para um novo destacamento de tropas para o território russo.
Durante a sua passagem pela Academia Militar Kang Kon, Kim Jong-un fez duras críticas à gestão da instituição e ao estado das infraestruturas educativas, considerando que estas não correspondem à visão do Partido dos Trabalhadores para um exército moderno e eficiente. “As instalações e o funcionamento da academia não refletem o carácter avançado e moderno que deve orientar a construção de um exército poderoso”, declarou, segundo a KCNA. O líder norte-coreano ordenou uma reforma das infraestruturas e uma maior ênfase no treino prático, para que os cadetes adquiram experiência real de guerra e dominem o uso de armamento e tecnologia militar de ponta.
Kim justificou o investimento militar com o atual cenário global, que, segundo ele, se caracteriza pelo aumento da agressividade dos países ocidentais e pela crescente normalização dos conflitos armados. “A situação internacional, na qual a natureza agressiva e belicista dos imperialistas se expressa de forma mais aberta do que nunca na história e onde a guerra e o derramamento de sangue se tornaram acontecimentos comuns, exige que as forças armadas […] estejam perfeitamente preparadas para um conflito”, afirmou, citado pela KCNA.
As autoridades sul-coreanas alertam que a participação da Coreia do Norte na guerra na Ucrânia pode dar ao regime uma oportunidade de testar e desenvolver novas táticas militares num campo de batalha real. O governo de Kyiv relatou que as tropas norte-coreanas sofreram pesadas baixas no conflito, estimando que mais de 3.000 soldados tenham sido mortos ou feridos até ao início de janeiro deste ano. Entretanto, a crescente aliança militar entre Pyongyang e Moscovo continua a preocupar a comunidade internacional, num momento em que Kim Jong-un reforça a retórica belicista e aposta no fortalecimento das forças armadas norte-coreanas.













