Jerusalém: a chave para a paz impossível entre Israel e a Palestina

Coexistência das religiões nesta cidade, ao longo dos séculos, passou por épocas de tolerância e outras de guerras e violência generalizada

Francisco Laranjeira

Há três focos no lado palestiniano do conflito com Israel: o primeiro, a Faixa de Gaza, onde os palestinianos vivem isolados do resto do mundo e que representa o objetivo número 1 da resposta de Israel após o ataque do Hamas, no passado dia 7. No nordeste fica o segundo foco, a Cisjordânia, a área que deveria ter-se tornado o coração do Estado palestiniano mas que tem visto, nas últimas décadas, os Governos israelitas a construir colonatos judeus que tornam impossível a criação de uma Palestina independente.

E chegamos ao terceiro foco: Jerusalém, a cidade sagrada dos palestinianos e judeus, considerada a capital de ambos. Ninguém pretende renunciar a esse propósito, mas também ninguém o quer partilhar. Israel assumiu o controlo da Cisjordânia e de Jerusalém Oriental na Guerra dos Seis Dias de 1967 e, desde então, tem cancelado uma ocupação militar deste território palestiniano.



A coexistência das religiões nesta cidade, ao longo dos séculos, passou por épocas de tolerância e outras de guerras e violência generalizada. A cidade, com quase um milhão de habitantes, tem 40% da população de origem palestiniana, sendo que a maioria vive nos bairros da Cidade Velha e de Jerusalém Oriental, em condições de superlotação e falta de serviços.

Em 1948, as Nações Unidas concederam a Jerusalém um estatuto especial sob administração da ONU mas Israel nunca respeitou as resoluções do Conselho de Segurança – aliás, o estatuto da cidade foi o principal obstáculo que levou ao fracasso dos acordos de Oslo. A decisão, em 2018, de Donald Trump de transferir a embaixada de Telavive para Jerusalém, alimentou ainda mais o ressentimento palestiniano.

No coração de Jerusalém, a mesquita de Al-Aqsa: conhecido pelos judeus como o Monte do Templo e pelos muçulmanos como o Nobre Santuário, o local no centro das tensões é venerado por ambas as religiões e qualquer ‘sopro’ tem capacidade para gerar violência, que inclui também os cristãos.

O complexo tem um significado religioso para muçulmanos, judeus e cristãos: é o local mais sagrado do judaísmo, onde terá sido construído o Primeiro Tempo, durante o reinado de Salomão, no séx. X A.C. Já para os muçulmanos, o Nobre Santuários é o terceiro local mais sagrado do Islão, depois das mesquitas de Meca e Medina, na Arábia Saudita – é considerado o local a partir do qual o profeta Maomé ascendeu aos céus.

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