Itália resgata 150 palestinianos em Gaza e torna-se o primeiro país ocidental a fazê-lo

Estas pessoas, entre as quais se encontram crianças doentes, estudantes e cidadãos com direito a reagrupamento familiar, já estão a caminho de Itália ou a ser assistidas em território jordaniano, aguardando transporte para várias cidades italianas.

Pedro Gonçalves
Outubro 1, 2025
12:32

O Governo liderado por Giorgia Meloni anunciou ter concluído com sucesso duas operações de evacuação humanitária na Faixa de Gaza, que permitiram resgatar 152 palestinianos. Estas pessoas, entre as quais se encontram crianças doentes, estudantes e cidadãos com direito a reagrupamento familiar, já estão a caminho de Itália ou a ser assistidas em território jordaniano, aguardando transporte para várias cidades italianas.

Segundo confirmou o Palácio Chigi na terça-feira, as missões envolveram os serviços de inteligência italianos e a cooperação com entidades internacionais e locais. O Executivo sublinhou que estas ações colocam Itália na linha da frente da resposta humanitária, tornando-se o primeiro país europeu e ocidental a intervir diretamente para retirar civis da zona do conflito.

Numa nota oficial, o Governo de Giorgia Meloni reafirmou o “compromisso constante” de Itália em oferecer “assistência humanitária” e em proteger “vidas humanas” no contexto de uma “crise dramática como é Gaza”. O comunicado acrescenta ainda que “Itália permanecerá em primeira linha para a estabilidade e a paz” e que continuará “a trabalhar com determinação para aliviar o sofrimento das populações afetadas pelos conflitos”, defendendo sempre “o pleno respeito dos direitos humanos” e apelando “à libertação dos reféns”.

As operações ocorreram num momento em que a atenção internacional está voltada para a tentativa da Global Sumud Flotilla, uma frota de dezenas de barcos que procura chegar à costa de Gaza para distribuir ajuda humanitária, contornando os bloqueios impostos pelo governo israelita de Benjamin Netanyahu.

A primeira missão decorreu em estreita colaboração com a Organização Mundial da Saúde (OMS) das Nações Unidas. Foram retirados 80 palestinianos, incluindo crianças doentes e familiares acompanhantes. O grupo conseguiu atravessar o posto fronteiriço de Kerem Shalom e foi depois transferido para o aeroporto israelita de Ramon.

Em território israelita, os evacuados embarcaram em três aviões militares C-130 da Aeronáutica Militar italiana, que seguiram rumo a diferentes cidades: Roma, Pisa, Lecce e Verona. Já em solo italiano, os resgatados começaram a receber acompanhamento médico especializado.

A segunda missão, realizada entre domingo, 28 de setembro, e segunda-feira, 29, envolveu 72 palestinianos, incluindo estudantes, pessoas com necessidades humanitárias urgentes e cidadãos com direito a reagrupamento familiar. A operação decorreu nas imediações do hospital Shuhada al-Aqsa, em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, em plena situação de “violentos tiroteios”, segundo relatou o Executivo italiano.

Este grupo foi retirado da zona de conflito e transportado para a Jordânia, onde está atualmente sob assistência da embaixada italiana. Está previsto que viagem para Itália esta quarta-feira, em dois voos distintos.

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