Ainda estamos bem no meio da tempestade, mas confiantes em que a ultrapassaremos, com a experiência de sermos destemidos marinheiros de outros mares! E chegaremos a bom porto», começa por dizer Clara Raposo, presidente do ISEG. Para a responsável, a quarentena trouxe a necessidade – que «aguça o engenho», como sugere o ditado popular – de adaptar os programas de formação, e até a oferta em termos de temas, a um sistema de e-learning. De facto, apesar de temas com o digital learning e o blended learning não serem novos, muitas universidades encaravam estes conceitos com algumas reservas – que são, aliás, justificadas. O tipo de contacto, relacionamento e experiência sensorial de aprendizagem são diferentes naquilo que é ensino presencial versus ensino à distância. «A quarentena acabou por constituir uma oportunidade no ISEG, sem dúvida, porque se comprovou que conseguimos trabalhar com estas novas tecnologias e metodologias com muita qualidade. É incontestável que a pandemia funcionou com um poderoso acelerador de mudança, contribuindo fortemente para a adesão ao ensino à distância. Obviamente que o nosso foco está em assegurar uma experiência de qualidade, que reforce efectivamente as competências dos participantes, pelo que foi necessário proceder, em tempo record, a ajustamentos e a uma gestão da mudança inclusiva que promovesse a valorização pessoal e profissional de todos os envolvidos no processo. Até ao momento estamos muito satisfeitos com a receptividade dos alunos da formação executiva, claro, e também das licenciaturas, dos mestrados e dos doutoramentos», acrescenta Clara Raposo.
A pandemia funcionou com um acelerador da adopção do ensino à distância. O ISEG reinventou- -se a alta velocidade no sentido de proporcionar aos seus alunos/ participantes a melhor experiência de aprendizagem nestes tempos de excepção. A capacidade de decidir com rapidez e de o fazer com uma comunicação eficaz, determinada e motivadora é essencial num processo de mudança que surge precipitada por um acontecimento externo com a dimensão desta pandemia. Foi feito um grande esforço de adaptação e gestão da mudança, que assentou numa postura assumidamente empreendedora de todo o ISEG: professores, estudantes e staff técnico e administrativo, foram todos chamados a cooperarem numa nova aventura de concretização daquilo que os une: aprender! «Em poucos dias estivemos sempre ligados e ansiosos (quer com algum receio, quer com entusiasmo) em sessões de formação, de partilha de boas práticas, troca de experiências, e muita tentativa-erro; ou seja, aprendemos a aprender e a ensinar à distância e a apoiar-nos uns aos outros, para benefício de todos. Tornou-nos mais unidos, na verdade. E mais conhecedores», acrescenta a presidente da instituição.
Esta adaptação foi transversal a todos as áreas de ensino. Nas licenciaturas e mestrados a passagem ao modelo online foi completa e imediata, antes até da declaração do estado de emergência. O mesmo sucedeu no acompanhamento dados aos doutorandos. Na formação executiva, a resposta foi adoptada ao perfil dos cursos e participantes, que foram envolvidos na tomada de decisão, tendo sido respeitada a sua opinião. A generalidade das pós-graduações (que são formações para executivos mais longas e com uma componente de avaliação mais «pesada») aderiu, com bons resultados, à formação e avaliação à distância. Em casos muito concretos (por exemplo, na pós-graduação em Wine Business na qual faltavam poucas sessões que envolviam “trabalho de campo”), ficaram poucas sessões finais adiadas para um momento em que se possam retomar essas aulas “especiais” de forma presencial. E, mesmo esses casos, se o confinamento se prolongar mais, poderão ser adaptados para formação à distância.
No caso de cursos executivos mais breves que ainda não se tinham iniciado, optou-se por adiar a sua realização, na expectativa de os poder vir a realizar presencialmente ou de preparar uma alternativa de e-learning mais completa (caso o confinamento se arraste no tempo). Paralelamente, no caso das soluções customizadas, desenhadas à medida das empresas, foram envolvidas as empresas parceiras no sentido de encontrar a abordagem mais adequada a cada situação. Em diversos casos mantiveram-se as formações nas datas previstas com formação à distância (o caso da Fidelidade, por exemplo), enquanto outros optaram por esperar mais um pouco para poderem ter a experiência de formação naquele fantástico complexo arquitetónico que é o ISEG.
Sincronização
Todos os programas que estão a decorrer à distância estão a funcionar, de uma forma geral, com sessões síncronas, o que obrigou a utilizar de outras maneiras a tecnologia e as plataformas que já tinham instaladas, e a adaptar os métodos de ensino, de modo a fomentar a atenção, o engagement e a aprendizagem. Adicionalmente, muitos professores gravam vídeos, por exemplo, disponibilizam mais materiais com narração e têm mais tempo dedicado a «atendimento» dos seus estudantes. Em diversos cursos de formação executiva foi necessário adaptar igualmente calendários e horários para obter o melhor resultado possível. A plataforma de aprendizagem já estava implementada, pelo que a transição tecnológica foi feita sem sobressaltos.
Naturalmente no caso dos programas com grau (licenciaturas, mestrados, doutoramentos), foi necessário adaptar a avaliação ao confinamento, essencialmente porque a avaliação terá de ser feita, toda ela, à distância. Faz muita diferença e é um assunto que está a ser acompanhado de forma próxima pela presidência do ISEG, pelo Conselho Pedagógico, pelos coordenadores de todos os cursos e pelos responsáveis de todas as “cadeiras”. Este é um assunto que também envolveu e envolve coordenação com toda a Universidade de Lisboa a que o ISEG pertence.
«Na formação executiva, a questão é mais premente nas pós-graduações e estamos a ser bem-sucedidos: os professores fizeram as alterações que consideraram adequadas, em diálogo com os participantes. Noutras formações o assessment não é uma questão tão premente, uma vez que, maioritariamente, consistem em programas de desenvolvimento de competências, nos quais a presença e a intervenção regular de todos os participantes durante as sessões de formação são suficientes para garantir a boa apreensão de novos conhecimentos », esclarece Clara Raposo.
O segredo do verdadeiro sucesso do ensino à distância para executivos está na qualidade com que é feito. Qual o feedback que obtiveram desta experiência? «Atendendo a que somos uma grande escola de economia, podemos citar uma das respostas mais famosas nesta área que é precisamente “depende”. O digital learning é muito eficaz em determinadas circunstâncias, mas pode ficar aquém do desejável se for adoptado de forma estandardizada e desumanizada», explica a responsável. Uma solução que parece mais equilibrada para uma audiência de executivos será alguma forma de “blended learning”, que possa combinar o melhor dos dois mundos, o presencial e o virtual. Uma das grandes vantagens que a Instituição está a sentir com esta experiência de ensino a distância é que aprendeu também a ensinar melhor presencialmente – já tem uma série de “truques na manga” para quando puder retomar também essa actividade entre a Lapa, S. Bento, Santos e a Madragoa!
Modelos
A partir deste momento poderá haver uma maior adesão a estes formatos à distância que, fruto desta experiência de confinamento, ganharam uma maior visibilidade e notoriedade. No entanto, cada formato tem as suas vantagens e mais valias e não devem ser precipitados a concluir pela superior performance de um ou outro. Cada modelo tem o seu interesse em circunstâncias diferentes e, podendo, deve-se saber tomar partido do melhor destes vários mundos. «Estamos atentos ao mundo que nos rodeia e às necessidades da nossa comunidade. Estamos a reequacionar a nossa oferta de inscrição aberta, que continuará a manter programas presenciais, mas poderá também incluir outros formatos, nomeadamente recorrendo ao blended learning. No caso das soluções intra-empresa, estamos a preparar, fruto da necessidade de parceiros, várias iniciativas e programas que decorrerão à distância. Ou seja, enquanto for uma necessidade, conseguimos adaptar toda a nossa oferta de formação à distância. Quando deixar de ser uma novidade, toda a expertise agora adquirida não vai ser desperdiçada – vai melhorar a experiência das formações presenciais e vai ajudar a lançar mais componentes blended e até exclusivamente de e-learning», esclarece Clara Raposo.
O ISEG está a trabalhar nas duas frentes [programas abertos e costumizados], e vai lançar vários programas de inscrição aberta em áreas como Green Finance ou Agile e, simultaneamente, conceber soluções à medida para várias organizações nacionais e internacionais. Tem também uma enorme aposta no ISEG MBA, que tem um novo programa redesenhado evitado para o futuro – vem na altura ideal em termos de percepção de necessidade de mudança nas organizações. «Depois desta experiência longa de confinamento, creio que as aulas presenciais vão ter outro sabor! A interacção social, de forma geral, vai ser muito apreciada e valorizada. E aprendemos, claramente, a ensinar melhor numa sala de aula (ou onde quer que seja, presencialmente) », conclui.














