O governo do Irão alertou hoje os estudantes que têm o direito de protestar, mas não devem ultrapassar “linhas vermelhas”, numa primeira reação desde o regresso dos protestos no sábado em algumas universidades.
“Naturalmente têm o direito de protestar, mas existem linhas vermelhas que devem ser protegidas e não ultrapassadas, mesmo no calor da raiva”, disse a porta-voz Fatemeh Mohajerani.
A responsável falava numa conferência de imprensa na qual citou como exemplos de “linhas vermelhas” os “locais sagrados e a bandeira” da República Islâmica.
Protestos estudantis eclodiram no fim de semana em nove universidades iranianas, com os manifestantes a queimarem bandeiras do país e a apelarem à morte do líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei.
As principais mobilizações ocorreram em Teerão, onde centenas de estudantes protestaram contra o Governo em pelo menos sete centros de estudos, queimando a bandeira da República Islâmica, um gesto incomum partilhado nas redes sociais por organizações não-governamentais (ONG) e meios de comunicação da oposição.
A queima de bandeiras dos Estados Unidos e de Israel é típica das mobilizações estatais iranianas e agora os estudantes universitários estão a protestar da mesma forma, mas em contestação ao regime, queimando a bandeira do país persa.
No sábado e no domingo eclodiram protestos nas universidades de Amir Kabir, Sharif e Teerão, e hoje juntaram-se também as universidades de Ciência e Tecnologia, a feminina de Alzahra, Jaye Nasir e a de Ciência e Cultura, todas na capital.
Também se registaram protestos na Universidade Ferdosi de Mashad (nordeste) e na Universidade Tecnológica de Isfahan (centro).
Em todos esses estabelecimentos de ensino foram entoados gritos de ordem como: “Nem Gaza, nem Líbano, a minha vida pelo Irão”, “Lutamos, morremos, recuperaremos o Irão” ou “Yavid Sah” (vida ao xá).
Nas universidades de Teerão, verificaram-se contraprotestos a favor da República Islâmica, nos quais gritaram “Morte a Israel” e “Morte aos Estados Unidos” e queimaram bandeiras desses países.
Na Universidade de Teerão ocorreram confrontos entre o que as ONG opositoras ao regime classificaram como ‘basijis’ — milicianos islâmicos — e estudantes, sem que houvesse relatos de feridos.
Os protestos começaram a 28 de dezembro, quando comerciantes saíram às ruas devido à desvalorização do rial, mas foram crescendo até se tornarem num movimento cidadão que exigia o fim da República Islâmica e que foi brutalmente reprimido nos dias 08 e 09 de janeiro.
O Governo iraniano reconhece oficialmente 3.117 mortos, enquanto organizações opositoras como a HRANA, com sede nos Estados Unidos, estimam que 7.015 pessoas morreram, embora continuem a verificar mais de 11.700 possíveis mortes e estimem que cerca de 53.000 pessoas foram detidas.
PFT (TAB/JSD) // SB










