Um grupo de militantes do Partido Socialista contesta a atual dinâmica interna do partido e defende o adiamento do congresso marcado para março, alegando “estagnação” e “falta de debate interno”, noticiou o jornal ‘Público’. O apelo surge num momento em que José Luís Carneiro se prepara para avançar praticamente sem oposição para a liderança socialista.
Num comunicado a que o ‘Público’ teve acesso, os oito signatários — entre os quais antigos “seguristas” como Manuel dos Santos — consideram os prazos do congresso “desajustados” e pedem mais tempo para promover encontros concelhios e distritais que permitam discutir moções e eleger delegados. Recusam que seja dada como adquirida a existência de uma lista única, o que, defendem, “parece indiciar a atitude” do atual secretário-geral.
Críticas à ausência de alternativa
Embora não assumam formalmente a intenção de apresentar uma candidatura alternativa, os militantes defendem a necessidade de “legitimação de um líder mobilizador” capaz de casar a matriz social-democrática do PS com uma liderança “à altura do momento histórico”. A ausência de disputa interna é vista como sintoma de um partido fechado sobre si próprio.
Os subscritores denunciam uma “absoluta ausência de iniciativa e dinamismo” e alertam que decisões “centralistas de natureza burocrática” estão a esvaziar o debate interno, podendo conduzir o PS “a um caminho de insignificância” se nada for alterado.
Entre os signatários encontram-se antigos deputados e autarcas como Ricardo Gonçalves, Elísio Estanque, Joaquim Rosa do Céu, Salomé Rafael, Gustavo Gouveia e Victor Baptista.
Estagnação e risco de irrelevância
Para este grupo, o desafio prioritário do PS passa por fortalecer e atualizar o legado doutrinário da social-democracia, através de um programa de formação política que reduza o “espaço de recrutamento dos radicalismos e nacionalismos”. Afirmam que a social-democracia exige moderação e capacidade de diálogo, mas também firmeza e liderança competente.
Num recado indireto à atual direção, defendem que o partido deve rejeitar a prática dos “jobs for the boys” e eleger uma liderança capaz de mobilizar as competências internas, frequentemente “desbaratadas ou ostracizadas pela promoção da cultura burocrática e carreirista”.
Os militantes evocam ainda a vitória de António José Seguro sobre André Ventura nas presidenciais como exemplo de que um “líder gerador de consensos e moderação é mais forte do que um líder arrebatador e radical”, numa crítica implícita ao atraso do PS em formalizar o apoio ao agora Presidente eleito.
Com o congresso à porta e sem sinais claros de alternativa à liderança, o debate interno expõe um partido dividido entre a necessidade de renovação e a perceção de bloqueio político. Para os críticos, a falta de disputa não é sinal de estabilidade, mas antes reflexo de um PS em estagnação, à procura de rumo e mobilização.













