Irão: Embaixador em Lisboa condena “desastre para a Humanidade” dos ataques

 

Executive Digest com Lusa
Fevereiro 28, 2026
19:35

*** Serviço áudio disponíveis em www.lusa.pt ***


 


Lisboa, 28 nov 2026 (Lusa) — O embaixador iraniano em Lisboa condenou hoje os ataques militares de hoje dos EUA e de Israel ao Irão como “um desastre para a Humanidade, para a Carta da ONU, para a UE e para a democracia norte-americana”.


Numa entrevista por telefone à agência Lusa, Majid Tafreshi frisou que o poder atualmente nas mãos do Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, “não é uma herança da sua família [política]”, mas sim o fim de 300 anos de nação civilizada, “quando salvava a paz e a segurança e não a violava”.


O diplomata iraniano indicou que os líderes do Irão estão todos vivos, apesar da muita confusão reinante, argumentando que manifestações públicas de júbilo no país “demonstram o sentimento da Nação, com a proteção da sua soberania”.


“A democracia e a liberdade vêm das pessoas, não das guerras imperialistas. É muito importante. São os iranianos que têm de definir o futuro do Irão, não Washington, não Telavive. Isso é muito importante, mas eu, infelizmente, estou a receber um sinal muito mau de alguns países europeus”, lamentou.


Segundo Tafreshi, o Irão está a autodefender-se e não está a atacar civis na retaliação aos ataques militares norte-americanos e israelitas, tal como aconteceu numa escola no sul do país, em que segundo as autoridades iranianas, morreram pelo menos 60 jovens raparigas.


“O Irão está apenas numa posição de defesa. Nunca declaramos nenhuma guerra. Estávamos, de novo, na mesa de negociação. O chefe da diplomacia de Omã disse ter todas as indicações de que os problemas seriam resolvidos. Mas, de repente, de novo, entra em ação o lóbi dos sionistas [Israel e Estados Unidos]”, sublinhou Tafreshi.


Questionado sobre as razões de uma mudança súbita e de ser utililizado o mesmo argumento utilizado para derrubar o regime iraquiano de Saddam Hussein — no caso do Iraque as armas de destruição maciça e no do Irão a bomba nuclear — Tafreshi admitiu semnelhanças.


“Claro que é uma história que já aconteceu no passado. E, agora, o Irão é um pretexto, claro. Talvez os norte-americanos tenham seguido esse cenário, mas todo o mundo sabe que o Irão, baseado na sua própria estratégia, não tem armas de destruição maciça. Aderimos há 25 anos ao Tratado de Não Proliferação Nuclear no Médio Oriente, que consideramos como um dos pilares dessa resolução, estamos juntos nisso com a AIEA (Agência Internacional de Energia Atómica)”, respondeu.


“Há quase 40 anos que dizem que o Irão vai ter acesso a uma bomba atómica. Todos os dias, diziam: ‘nos próximos dois meses o [Irão] terá uma bomba atómica’. Onde está essa bomba atómica, realmente? É tudo propaganda. Não será a primeira vez nem a última que o Irão sofre com os abusos de poder e uso ilegal de força”, sublinhou.


Isso é muito mau, uma escola numa área residencial, não era uma base militar. Mas o que o Irão retaliou foram apenas bases militares. 


Instado pela Lusa sobre se tem fé no poder das Nações Unidas para resolver as divergências, o diplomata iraniano defendeu que não tem qualquer outra opção.


“Não temos nenhuma escolha. Não estamos a viver numa selva. Precisamos de humanidade. Temos de a proteger, pois é o que ficou das grandes guerras mundiais. Se todo mundo julgar os outros pelos seus próprios interesses, definitivamente não teremos uma recompensa segura”, acrescentou. 


Tafreshi adiantou que a Rússia e a China pediram uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, embora sublinhe que a esperança será pouca se o órgão das Nações Unidas não se envolver mais”, voltando a atacar o método norte-americano de, num dia, romper negociações e, no dia seguinte, passar ao ataque militar.


“Não sei como é que se consegue explicar. Como é que uma pessoa com mente aberta pode explicar? Estarão a mentir? Isto é democracia. A negociação é democracia. O pior diálogo é muito melhor do que a melhor das guerras. Precisamos de proteger a humanidade. Os nossos filhos, as nossas famílias, os nossos amigos não deveriam ser mortos por decisões erradas? Mas então, todos devem proteger, como António Costa e muitos outros lembraram, a Carta das Nações Unidas”, referiu.


“É necessário lógica. Para quê atacar? Por que se estão a matar inocentes? Porque se ataca um país que usou e gastou todo o seu talento para negociação e todos estavam felizes? Por não se respeita até Omã como mediador? O MNE de Omã disse que a paz estava nas nossas mãos, mas os norte-americanos escolheram a guerra. Então, por que estão a matar? Por está a perder o tempo de outros? Se se quiser a paz tem de se envolver. Mas não, eles [EUA e Israel] estão a mentir e a hostilizar negociações pacíficas o que leva a uma guerra sangrenta”, concluiu.


 

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.