Inflação: De máximos em máximos, como chegamos a este ponto?

Desde os finais dos anos 70 e inícios dos anos 80 que a economia mundial não enfrenta um disparo da inflação tão acentuado como estamos a experimentar atualmente. Depois de quatro décadas de uma inflação em baixa, levantou dúvidas se uma política expansiva resultaria numa inflação mais elevada.

André Manuel Mendes

Desde os finais dos anos 70 e inícios dos anos 80 que a economia mundial não enfrenta um disparo da inflação tão acentuado como estamos a experimentar atualmente. Depois de quatro décadas de uma inflação em baixa, levantou dúvidas se uma política expansiva resultaria numa inflação mais elevada.

Mas os fatores que ajudaram a manter a inflação baixa durante anos começaram a deteriorar-se com a pandemia, com os processos de globalização a abrandarem e a inverterem-se entre as “guerras comerciais” sino-americanas, as políticas ambientais a aumentarem os custos das empresas e o impacto da resposta à pandemia, apontam os analistas da XTB, no seu “Guia sobre a Inflação”.



Enquanto as empresas se viam afetadas pelas medidas de confinamento e restrições impostas pela pandemia, a procura começou a aumentar e os apoios governamentais como os subsídios, vouchers ou apoios fizeram disparar essa mesma procura. No entanto, esta não foi acompanhada pela oferta, traduzindo-se num aumento de preços e, consequentemente, um cenário de inflação.

Os analistas apontam ainda aos Bancos Centrais que ignoraram os primeiros sinais de inflação e demoraram a atuar, atrasando uma resposta ao aumento dos preços e permitindo que as pressões sobre os preços se tornassem mais ancoradas.

O que se pretende é uma inflação baixa e estável para apoiar o crescimento económico que ajuda a planear os negócios e a gerir os custos. Por outro lado, se a inflação começar a subir demasiado, pode tornar-se um problema para os agentes económicos, semeando a incerteza em diversas vertentes, desde a gestão empresarial até ao aumento das hipotecas.

Em Portugal, o Instituto Nacional de Estatística (INE) confirmou esta quinta-feira os valores da inflação de setembro, que se situaram nos 9,3%, taxa superior em 0,4 pontos percentuais à do mês anterior e a mais elevada desde outubro de 1992.

XTB (Fonte: Bloomberg)
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