O Infarmed alertou nas redes sociais para o uso correto do paracetamol, na sequência da circulação nas redes sociais de conteúdos que incentivam jovens a ingerirem doses elevadas do medicamento, num fenómeno conhecido como “desafio do paracetamol”. A autoridade do medicamento sublinha que, embora se trate de um fármaco seguro quando utilizado nas doses recomendadas, a sobredosagem pode ter consequências graves e potencialmente fatais.
O paracetamol é um dos medicamentos mais utilizados para o alívio da dor e da febre, devido à sua ação analgésica e antipirética. Quando administrado de acordo com as indicações médicas ou farmacêuticas, apresenta um perfil de segurança favorável. No entanto, o Infarmed recorda que o principal risco associado ao seu consumo é a ingestão de quantidades superiores às recomendadas.
A toma deliberada de doses elevadas pode provocar lesões hepáticas graves e irreversíveis, evoluindo para insuficiência hepática aguda, necessidade de transplante de fígado e, em situações extremas, morte. Em casos menos frequentes, podem também ocorrer lesões renais, sobretudo associadas a uso prolongado ou a ingestão excessiva.
A Ordem dos Médicos já tinha alertado que a sobredosagem de paracetamol pode levar à falência hepática e à necessidade de cuidados intensivos, sublinhando que um dos maiores perigos reside na ausência de sintomas imediatos. Nas primeiras horas — e até no primeiro dia — pode não haver sinais relevantes, criando uma falsa sensação de segurança que atrasa o recurso a tratamento.
Também a Ordem dos Farmacêuticos considera que a circulação destes desafios constitui um “risco sério para a saúde”, salientando que a toxicidade pode instalar-se mesmo antes do aparecimento de sintomas clínicos. Quando surgem, nas primeiras 24 horas, os sinais mais comuns incluem náuseas, vómitos, sudação, mal-estar e letargia. À medida que o dano hepático progride, pode aparecer dor abdominal e evoluir para complicações mais graves.
Perante qualquer suspeita de ingestão excessiva, o Infarmed e as ordens profissionais recomendam que não se espere pelo aparecimento de sintomas e que seja procurada assistência médica imediata. Deve ser contactado o Centro de Informação Antivenenos (CIAV), através do número 800 250 250, ou, em situação de urgência, o 112. O tratamento é tanto mais eficaz quanto mais cedo for iniciado.
As autoridades apelam ainda às plataformas digitais para que identifiquem e removam conteúdos que promovam comportamentos de risco, bem como às escolas e aos pais para reforçarem a literacia em saúde e a informação sobre o uso seguro de medicamentos. O fenómeno tem sido observado em vários países europeus, como Alemanha, Bélgica, Espanha, França e Suíça.
O Infarmed reforça que o paracetamol deve ser sempre utilizado na dose mínima eficaz e pelo período mais curto possível, respeitando as indicações da bula e as orientações de médicos ou farmacêuticos. A automedicação responsável implica conhecer os limites de segurança — e perceber que, no caso deste fármaco, ultrapassá-los pode ter consequências irreversíveis.





