“Desde o momento que marca o início da pandemia, março de 2020, o INE passou a detetar menos “desempregados” do que os centros de emprego. Não sendo inédito, este efeito não se verificava de forma constante há quinze anos”, escreve o Jornal de Negócios.
Como interroga a publicação económica ” se ao longo de vários anos se desculpou o facto de os centros de emprego não “apanharem” todos os desempregados que o INE detetava – admitindo que nem todos teriam incentivo para isso, eventualmente por não terem direito a apoios –, ultimamente a pergunta passou a ser outra: porque é que o INE não classifica como desempregadas todas as pessoas que se apresentam como tal nos centros de emprego?”
No final de junho havia 377 mil desempregados inscritos nos centros de emprego, já o INE apontava, com dados ainda provisórios (e não ajustados de sazonalidade, como os do IEFP), para 333 mil pessoas.
Questionado pelo Negócios, o INE sublinha aquilo para o qual já tem alertado: “a classificação de “desempregado” exige o cumprimento de critérios que, na pandemia, com as restrições à circulação e o encerramento de atividades são mais difíceis de cumprir”.
“As medidas de resposta à pandemia Covid-19 determinaram a segunda e terceira condições necessárias para a classificação de um não empregado como desempregado”, explica o instituto.
Assim, “pessoas anteriormente classificadas como desempregadas e pessoas que efetivamente perderam o seu emprego foram (corretamente, do ponto de vista estatístico) classificadas como inativas caso não tenham feito uma procura ativa de emprego, devido às restrições à mobilidade, à redução ou mesmo interrupção dos canais normais de informação sobre ofertas de trabalho” por causa do encerramento de empresas”, acrescenta o gabinete português de estatística.
Em entrevista ao Negócios, também Francisco Madelino, que foi presidente do IEFP entre 2005 e 2011, explica o porquê deste fenómeno: IEFP tem à partida, um critério menos exigente para a classificação de “desempregado”, mas as políticas públicas dos últimos vinte anos condicionaram estes dados administrativos.




