Humor em empresas tech não é bug, já é feature

Opinião de Bruna Cunha, Social Media Manager da Critical Software

Executive Digest

Por Bruna Cunha, Social Media Manager da Critical Software

Qualquer gestor de redes sociais recebe o desafio de criar conteúdo cativante que seja personalizado o suficiente para ressoar com o público-alvo, mas que também consiga estar alinhado com os objetivos da marca. São muitas palavras que se resumem a: queremos conteúdo que conecte com pessoas, seja qual for a área de negócio, porque ainda são as pessoas que compram os nossos produtos ou serviços.



 

Comunicar sem perder as pessoas pelo caminho

Na área tech, senti um desafio acrescido: como é que podemos simplificar a transmissão da mensagem do que vendemos? Deixemos as tecnicidades de lado: como é que se poderia explicar a uma criança o que é que é produzido aqui?

Essa ideia de desmontar palavreado corporativo, tantas vezes criado para seduzir quem nos poderá garantir um novo negócio, é poderosa no universo de redes sociais. Porque é lá que temos a oportunidade de explorar o que nenhum discurso de vendas abarca; é lá que temos a oportunidade de conectar com a pessoa, e não com o profissional.

 

A importância da persona

É nesse universo social que a persona, bem definida pela parte da marca, ganha vida, capitalizando esse retorno indiretamente, mas de uma forma que não deve ser descurada: fica eternizada na memória, é estratégica o suficiente para ser o ponto de partida para uma relação que se espera longa e, no melhor cenário possível, vitalícia.

Se a marca fosse uma pessoa, quem seria? Que roupa vestiria? A que eventos iria? Que música escutaria? Além das questões mais óbvias, é também nestas respostas, tantas vezes tidas como irrelevantes à primeira vista, que encontramos as nuances que vão separar a comunicação de uma marca das demais, criando assim uma identidade única e (esperemos) inimitável.

 

O humor como ferramenta
Ao fazer esse exercício, encontrei no humor uma ferramenta que me auxilia a traçar essa personalidade que, ainda que seja alvo de influências externas, tal como qualquer humano, tem uma série de princípios, valores e formas de estar bem definidos.

Em algumas circunstâncias, o humor não é muleta, nem sequer uma justificação. Faz parte da identidade da marca. Porque há espaço para comunicar com leveza. Porque a informação não se perde no meio do riso. Porque rir de nós próprios apenas nos faz descer dos pedestais.

Aliás, acredito profundamente que comunicar com humor é algo que a maioria das pessoas faz naturalmente. É aquela resposta espontânea que sai da nossa boca quando o amigo anuncia que vai trocar de emprego. Porque sejamos honestos, é pouco provável que respondamos com “Parabéns por essa conquista! Votos de muitos sucessos neste novo desafio”, mas sim com “Parabéns, pá, quando é que me pagas um jantar?”.

 

A prática nas redes sociais

Como gestora de redes sociais de uma empresa tech e humorista nas horas vagas, divirto-me ao interagir com publicações e comentários de páginas onde somos identificados. Analiso, percebo o ângulo, tento descodificar de que forma é que posso injetar algum humor num comentário curto que tenha o cunho da marca. A tarefa poderia acabar aqui, mas até a decisão de qual emoji utilizar pode ser árdua; mas necessária para elevar a mensagem.

E não é ‘porque sim’, mas sim porque é parte integrante de uma estratégia que passa por comunicar de forma mais humana, um desafio que provavelmente faz parte do ADN de qualquer empresa do ramo tecnológico. O humor amolece a rigidez na comunicação e convida à interação genuína. Essa é a linguagem que cria conexão: não é impessoal ou robótica, é autêntica e próxima. É simples; tão simples que nos esquecemos de como a usar.

Mesmo em contextos mais corporativos (como o anúncio de uma parceria ou a divulgação de um evento conjunto), há espaço para humanizar a mensagem. Daí ser necessário sair da bolha corporativa e entrarmos na redoma da comunicação que usamos na nossa esfera pessoal, relembrando-nos que o tom que usamos para falar com um amigo – próximo, leve, descomplicado – é, felizmente, transmissível.

Aliás, estende-se a outras formas de comunicação que vemos como demasiado sérias ao ponto de parecerem imunes ao humor quando é nesse gesto que tantas vezes se desarma quem está do outro lado com uma gargalhada.

Ainda assim, isso não significa que tenhamos de estar em constante tentativa de sermos engraçadinhos, mas sim bebermos das interações que temos fora do trabalho para recuperarmos essa naturalidade comunicacional que tantas vezes se perde em frente a um computador.

No fim do dia, comunicar sobre tecnologia não é sobre bits, é sempre sobre pessoas. Porque o código pode ser binário, mas nós somos tudo aquilo que não cabe num algoritmo.

Partilhar

Edição Impressa

Assinar

Newsletter

Subscreva e receba todas as novidades.

A sua informação está protegida. Leia a nossa política de privacidade.