O programa dos cheques-psicólogo e cheques-nutricionista, que garante consultas gratuitas de psicologia e nutrição a estudantes do ensino superior, foi temporariamente suspenso em todo o país desde o início de setembro. A informação foi confirmada pelos Ministérios da Juventude e Modernização e da Educação, que justificam a interrupção com a necessidade de reformular o modelo e alargar o acesso a todos os jovens, mesmo que não frequentem o ensino superior.
Segundo adianta o jornal Público, que cita os dois ministério, esta pausa faz parte de “um processo mais amplo de reformulação do programa”, que tem como prioridade “garantir uma resposta mais inclusiva em matéria de saúde mental e bem-estar”. A nova versão do programa deverá entrar em vigor no primeiro semestre de 2026, com um sistema “mais simples, acessível e com uma coordenação mais eficiente e próxima dos públicos-alvo”.
A referida suspensão é de caráter nacional e aplica-se a todas as instituições de ensino superior. Ainda assim, os estudantes que já tinham consultas marcadas ou cheques emitidos puderam concluir os seus atendimentos.
O Governo sublinha que o objetivo é melhorar o acesso e o funcionamento do sistema, de forma a que a iniciativa abranja todos os jovens. “Queremos que qualquer jovem possa beneficiar deste apoio, independentemente da sua situação académica”, indicam as tutelas.
Medida prevista no Orçamento do Estado para 2026
A restruturação dos programas já estava contemplada no Orçamento do Estado para 2026, onde o Executivo liderado por Luís Montenegro garantia o reforço do “apoio aos jovens no acesso a cuidados de saúde, em especial na área da saúde mental”. No entanto, até agora, não tinham sido divulgados detalhes sobre a forma como o modelo seria revisto.
Recorde-se que este programa foi lançado há pouco mais de um ano, no final de setembro de 2024, com o objetivo de facilitar o acesso dos estudantes universitários a serviços de psicologia e nutrição. Cada aluno podia agendar entre duas e doze consultas de psicologia, e entre uma e seis consultas de nutrição, mediante a emissão de cheques digitais.
O programa foi lançado há menos de um ano, a 30 de setembro de 2024, com o objetivo de facilitar o acesso dos estudantes universitários a serviços de psicologia e nutrição. Cada aluno podia agendar entre duas e doze consultas de psicologia e entre uma e seis consultas de nutrição, mediante a emissão de cheques digitais.
O pedido era feito através da Chave Móvel Digital ou do Cartão de Cidadão, e os cheques eram disponibilizados consoante a disponibilidade de cada instituição. As consultas seguintes eram marcadas diretamente pelos profissionais de saúde.
Mais de 16 mil estudantes beneficiaram da medida
Em março de 2025, seis meses após o arranque do programa, o Governo contabilizava mais de 16 mil pedidos de cheques-psicólogo e cheques-nutricionista. O sucesso inicial, no entanto, foi acompanhado por críticas de especialistas e associações estudantis, que apontaram limitações no número de consultas e critérios de exclusão considerados excessivos.
De acordo com as regras vigentes, os cheques-psicólogo não eram atribuídos a estudantes com necessidades educativas específicas, comportamentos aditivos, diagnóstico de perturbação psicótica, bipolar ou da personalidade, pensamentos suicidas ou sintomas com duração superior a 18 meses. Estas restrições levaram a que muitos jovens com problemas mais graves ficassem sem apoio através deste canal.
Enquanto o novo modelo não entra em vigor, o Governo destaca o programa Cuida-te, gerido pelo Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ), como principal resposta pública de apoio psicológico e nutricional a jovens dos 12 aos 30 anos.
Segundo dados oficiais, entre 1 de janeiro e 10 de outubro de 2025, o Cuida-te realizou 6331 atendimentos, dos quais 4968 relacionados com saúde mental e bem-estar emocional e 335 de nutrição. O programa também oferece apoio em questões de sexualidade e comportamentos aditivos, através de consultas presenciais e online, todas gratuitas.














