Começa hoje o julgamento que vai decidir o futuro político de França: Le Pen tenta salvar sonhos presidenciais

Processo surge num momento decisivo para a extrema-direita francesa, que lidera as sondagens mas enfrenta uma incerteza judicial com impacto direto na corrida ao Eliseu

Francisco Laranjeira
Janeiro 13, 2026
6:45

Começa esta terça-feira, no Tribunal de Recurso de Paris, um recurso judicial que poderá determinar se Marine Le Pen ou o seu delfim político, Jordan Bardella, será o rosto do Reunião Nacional nas eleições presidenciais francesas de 2027. O processo surge num momento decisivo para a extrema-direita francesa, que lidera as sondagens mas enfrenta uma incerteza judicial com impacto direto na corrida ao Eliseu.

Marine Le Pen está atualmente impedida de se candidatar à sucessão de Emmanuel Macron, na sequência de uma condenação por desvio de fundos do Parlamento Europeu, aplicada no ano passado, que resultou numa proibição eleitoral de cinco anos. A líder histórica do partido recorre agora dessa decisão, num processo que deverá prolongar-se por cerca de um mês, embora o veredicto apenas seja conhecido no verão, segundo o ‘POLITICO.

Apesar de ter sido a principal responsável pela normalização eleitoral do antigo Frente Nacional e pela sua transformação numa força dominante na política francesa, Le Pen enfrenta um contexto político menos favorável. O eleitorado mostra-se cada vez mais recetivo a Jordan Bardella, presidente do partido e apontado como plano alternativo que começa a assumir contornos de primeira opção.

Bardella ganha terreno nas sondagens

Uma sondagem do Ipsos, realizada em dezembro último, indica que Bardella, de 30 anos, ultrapassou Marine Le Pen como o político francês com maior percentagem de opiniões positivas. Já um estudo do instituto Odoxa, divulgado em novembro, aponta para uma vitória de Bardella em ambos os turnos das eleições presidenciais, caso seja candidato.

Apesar destes dados, o Reunião Nacional continua a afirmar publicamente que Marine Le Pen é a sua escolha prioritária. No entanto, para que possa figurar no boletim de voto, será necessário que o tribunal aceite o recurso de forma acelerada e revogue a proibição eleitoral. Isso implica uma mudança estratégica clara face ao julgamento anterior, abandonando a retórica de vitimização política e adotando uma postura mais técnica e contida.

Mudança de estratégia em tribunal

Ao contrário do que sucedeu após a condenação, quando Le Pen comparou o seu movimento à luta de Martin Luther King e afirmou que nunca cederia a uma “violação da democracia”, a atual abordagem jurídica será menos politizada. De acordo com três dirigentes da extrema-direita com conhecimento direto do processo, citados pelo POLITICO, os advogados irão concentrar-se em argumentos técnicos e processuais.

“Vamos entrar com humildade e tentar não tratar isto como um julgamento político”, afirmou um dos coarguidos, também eleito, que recorre da decisão juntamente com Le Pen.

Marine Le Pen e outros 24 arguidos foram julgados no final de 2024 por alegadamente utilizarem fundos do Parlamento Europeu para pagar funcionários do partido, contratados formalmente como assistentes parlamentares, mas que, segundo a acusação, raramente desempenhavam funções ligadas ao trabalho legislativo.

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