O Governo admite que a atual escalada de preços da energia, impulsionada pela guerra no Irão, pode evoluir para uma crise de abastecimento e apela desde já à redução do consumo de energia. A ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, reconhece que o cenário é incerto e que os impactos na economia poderão ser significativos.
Governo alerta para necessidade de poupar energia
Em entrevista à CNN Portugal, a ministra defende que os consumidores devem começar a adotar medidas de poupança em vários setores energéticos, incluindo petróleo, gasóleo, eletricidade e gás.
Maria da Graça Carvalho sublinha que, para já, o problema é sobretudo de preços, mas alerta para um possível agravamento da situação. A governante admite que, caso o conflito se prolongue por várias semanas, a atual crise pode transformar-se numa crise de abastecimento.
Medidas em preparação com parceiros europeus
O Executivo está a trabalhar em conjunto com outros países europeus para preparar respostas que minimizem os efeitos da crise energética. Ainda assim, o Governo reconhece que não será possível evitar totalmente o impacto nos consumidores e nas empresas.
O objetivo passa por mitigar os efeitos da subida dos preços, mantendo medidas temporárias e coordenadas ao nível europeu, incluindo eventuais ajustes fiscais e regulatórios.
A ministra alerta também para o efeito em cadeia que o aumento dos preços da energia pode provocar na economia, nomeadamente nos setores da distribuição, alimentação e agricultura, devido ao impacto nos custos de produção e nos fertilizantes.
Eletricidade e gás também sob pressão
Apesar de Portugal partir de uma posição mais favorável no que diz respeito à eletricidade, devido ao peso das energias renováveis, o aumento do preço do gás pode acabar por influenciar as tarifas.
O Governo admite que é possível reduzir o impacto para os consumidores, mas não eliminá-lo por completo. A estratégia passa por avaliar continuamente medidas e, se necessário, recorrer a legislação adicional em articulação com as instituições europeias.
Economia global sob risco com crise prolongada
A ministra do Ambiente considera que uma crise prolongada poderá ter efeitos profundos na economia global, uma vez que está em causa o acesso a combustíveis fósseis essenciais como o petróleo e o gás.
À CNN Portugal, Maria da Graça Carvalho afirma que será difícil para a economia mundial suportar durante muito tempo um cenário de preços elevados, esperando que a situação se resolva em semanas e não em meses.
Governo acompanha evolução e prepara resposta
Enquanto acompanha a evolução do conflito e dos mercados energéticos, o Governo está a analisar diferentes cenários e a recorrer a mecanismos já previstos na legislação europeia para situações de emergência.
A ministra destaca que, apesar de a União Europeia estar hoje mais preparada do que em crises anteriores, nomeadamente com maior capacidade de importação de gás, o impacto será global e afetará várias regiões do mundo.
A preocupação centra-se sobretudo na subida do preço do petróleo, em particular do gasóleo e do combustível para aviação, bem como no eventual aumento do preço do gás, que pode afetar tanto a indústria como os consumidores mais vulneráveis.
Maria da Graça Carvalho garante que o Governo fará o possível para conter os preços da energia, mas admite que o cenário depende da duração e evolução da crise internacional.












